Trabalhadores vivem “troca de domínios” entre tarefas de casa e trabalho
Alternar frequentemente tarefas pessoais e profissionais traz custos e benefícios para funcionários e empresas e horário flexível pode ser uma das soluções
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Pausas involuntárias no trabalho para atender chamadas da esposa ou marido, dos filhos ou de pais idosos. Ou, ao contrário, responder e-mails e chamados da empresa quando se está em casa descansando, ganharam uma nova definição: “troca de domínios”. Trata-se de prejuízos que podem ser gerados tanto para as empresas, quanto para os funcionários. Alcançar o equilíbrio entre vida profissional e pessoal é a meta a ser perseguida por trabalhadores e corporações.
Essa dicotomia foi analisada em matéria veiculada na Academy of Management Insights, revista online para gerentes e líderes de negócios. A revista aborda o tema no artigo “Teoria da Troca de Domínio: Uma Compreensão Mais Profunda das Transições entre Domínios de Trabalho e Não Trabalho na Vida Profissional Moderna”, assinado por Ekonkar Kaur e Christopher M. Barnes, da Universidade Nacional de Cingapura e da Universidade de Washington; Marcus M. Butts, da Universidade Metodista do Sul; e Allison S. Gabriel, da Purdue University.
Como apoiar práticas positivas
Os autores revisaram a literatura acadêmica e trouxeram perspectivas teóricas sobre como os gerentes podem apoiar práticas positivas na troca de domínios e evitar custos cognitivos conhecidos como “resíduo de atenção”, ou seja, o tempo que leva para os cérebros dos funcionários se desligarem do trabalho e se envolverem com uma questão pessoal urgente. Compreender os custos e benefícios da troca de domínios é crucial para trabalhadores e gerentes alcançarem o equilíbrio entre vida profissional e pessoal e manterem a saúde mental e a produtividade.
“No geral, suspeitamos que a necessidade de entender a troca de domínios se tornará cada vez mais crítica pelas gerências nos arranjos de trabalho modernos”, diz o artigo.
Medidas amenizam as mudanças
Não há fórmula mágica para evitar ou compensar as trocas de domínio. Mas o artigo sugere algumas medidas que podem amenizar essas mudanças.
Estabeleça limites designando blocos de tempo para atividades de trabalho ou não profissionais. Por exemplo, defina horários específicos para verificar e-mails de trabalho em casa, em vez de respondê-los em horários não definidos. A redução de trocas desnecessárias minimiza os custos cognitivos e melhora o foco.
- Agende pausas para reabastecer a recuperação mental por meio de tarefas não relacionadas ao trabalho, como caminhar.
- Comunique-se, em domínios compartilhados, com colegas de equipe, para estabelecer padrões que funcionem para todos.
- Reconheça a chamada comutação de alto impacto, situação em que a comutação é necessária, como gerenciar um assunto familiar urgente durante o horário de trabalho.
- Reaja com foco, para resolver os problemas.
- Considere quando você pode operar em paralelo e quando não pode, como enviar mensagens de texto e dirigir ao mesmo tempo.
- É preciso reconhecer que às vezes não é cabível realizar duas tarefas ao mesmo tempo.
- É impossível, por exemplo, interagir com o filho enquanto atende um telefonema do trabalho.
Trocas podem gerar esgotamento
O artigo diz que alternar entre trabalho e não trabalho afeta o funcionário e também as pessoas ao seu redor, especialmente em “domínios compartilhados”, como família e equipes profissionais. Os autores escreveram que a troca frequente pode prejudicar a produtividade e o bem-estar no trabalho ou na vida pessoal. Com o tempo, a troca ineficiente e desnecessária pode contribuir para o esgotamento. A pesquisa destaca a importância da coordenação com parceiros, aqueles com quem compartilhamos responsabilidades, no trabalho ou na vida pessoal. E recomenda que é preciso ter habilidade para lidar com esses “interruptores”.
“Há uma tendência de querer mudar para frente e para trás rapidamente várias vezes. A maneira como gerenciamos esses interruptores pode promover a harmonia ou criar atrito”, defende o artigo.
Horário flexível seria estratégico
Para os autores, o horário flexível pode ser uma estratégia importante para o gerenciamento de indivíduos e equipes. As análises do artigo sugerem que arranjos de trabalho flexíveis são uma maneira de as organizações ajudarem os indivíduos a ter bem-estar em seus domínios pessoais em longo prazo.
“Há enormes benefícios em estar em um ambiente colaborativo face a face, mas você não precisa estar nesse ambiente 40 horas por semana”, argumenta o artigo.

