Amizades no trabalho contribuem para redução de estresse e geram engajamento
Apesar disso, pesquisa nos EUA mostra declínio nas amizades corporativas; no Brasil, 57% apontam que trabalho flui melhor quando existe relacionamento
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Ter amizades no trabalho pode gerar vários benefícios, como aponta Marissa King, professora da universidade de Yale e autora do livro Social Chemistry. De acordo com ela, a presença de companheiros solidários no ambiente corporativo pode levar os profissionais a terem menos estresse e serem mais engajados.
Mas, mesmo com benefícios, o percentual de quem tem um melhor amigo corporativo vem decaindo nos Estados Unidos: enquanto 50% tinham um “best friend” no trabalho em 1985, apenas 30% relatavam a presença de uma amizade no trabalho diferenciada em 2004.
O percentual continua a cair e o trabalho híbrido parece ter ajudado no processo, assim como as novas dinâmicas de emprego, entre as quais a menor permanência nas empresas. As argumentações são resultado de pesquisas da Glassdoor, comunidade dedicada a assuntos relacionados a recursos humanos.
Os levantamentos, feitos em 2025, apontam dois dados de alerta: menos de 25% dos entrevistados pela plataforma disseram que permanecem no emprego porque têm o apoio de um melhor amigo de trabalho. E 53% evitam ter conexões corporativas para não misturar vida pessoal e profissional.
Essas tendências já vinham sendo destacadas por Marissa King, citada acima, e por outros autores, conforme reportagem da Harvard Business Review. Segundo Lydia Denworth, autora do livro Friendship, as pessoas precisam geralmente de 80 a 100 horas juntas antes de se tratar como amigas e, pelo menos, mais de 200 horas adicionais para considerarem-se best friends.
Esse tempo pode ser otimizado, segundo a mesma reportagem, por iniciativas como maior proximidade eletrônica ou física, como é o caso de ocupar estações de trabalho próximas de quem a afinidade profissional é maior.
Outra mudança importante nos Estados Unidos é o declínio do termo “cônjuge do trabalho”, comum em outras épocas, e a ascensão de indicadores como “colaborador principal” ou “colega mais próximo”.
Interação é essencial para promover amizades no trabalho
Independentemente da nomenclatura e das mudanças, a interação social é importante, sendo reforçada com limites saudáveis para a amizade no trabalho.
A cartilha dos especialistas indica que as relações podem ser feitas por meio de trabalho compartilhado e não é necessário passar tempo fora do escritório com os colegas. Bate-papos semanais, por exemplo, são uma boa iniciativa para reforçar a interação.
O estabelecimento de normas para gerir conflitos e receber feedbacks também é um conselho útil, permitindo a honestidade entre os colegas de trabalho e focando em aspectos corporativos.
O estabelecimento de limites também é uma indicação dos especialistas brasileiros, segundo reportagem do Valor Econômico. A dica é importante, uma vez que os projetos devem acontecer independentemente do grau de amizade entre os profissionais. E uma atenção ainda maior sobre limites deve acontecer na relação dos colaboradores com seus gestores.
Outro conselho dos consultores é que as empresas estimulem os funcionários a ter uma vida social nos tempos pós-pandemia de Covid 19.
A dica faz sentido, uma vez que 52% dos profissionais brasileiros entrevistados pela Indeed Brasil, em 2025, dizem ter amigos na empresa onde trabalham. Para metade deles, ter um colega com quem conversar reduz o estresse. Outros 57% apontam que a colaboração é mais fluída quando existem amizades no trabalho.

