12 maio, 2026
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Marketplaces nacionais perdem espaço: participação cai 18 pontos em um ano

Pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e do SPC Brasil mostra avanço consistente das plataformas internacionais e acende alerta para a competitividade do e-commerce brasileiro

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Marketplaces nacionais perdem espaço: participação cai 18 pontos em um ano

O domínio dos marketplaces internacionais no consumo digital brasileiro não cresce apenas em ritmo acelerado, ele também redefine o equilíbrio de forças do e-commerce. Em um intervalo de apenas um ano, as plataformas nacionais perderam participação de forma expressiva, evidenciando um desafio estrutural para o varejo online brasileiro.

De acordo com a pesquisa “Compras em sites internacionais”, realizada pela CNDL e pelo SPC Brasil, em parceria com a Offerwise Pesquisas, 71% dos consumidores afirmam ter comprado em marketplaces nacionais nos últimos 12 meses. O dado, isoladamente, parece positivo. O problema é a comparação: trata-se de uma queda de 18 pontos percentuais em relação a 2024.

Enquanto isso, 96% dos consumidores compraram em marketplaces internacionais no mesmo período, uma penetração quase total.

A concorrência deixou de ser local

O recuo das plataformas nacionais acontece em um contexto de concorrência direta com gigantes globais que operam com escala, logística internacional integrada e estratégias agressivas de preço e marketing. Shopee, Shein, Amazon e Mercado Livre, este último com forte presença regional, ocupam hoje o topo da preferência do consumidor.

A pesquisa mostra que Shopee (73%), Mercado Livre (63%), Amazon (39%) e Shein (37%) lideram o ranking de uso. Nesse ambiente, marketplaces nacionais tradicionais, como Americanas (29%) e Magalu (28%), seguem relevantes, mas perdem espaço relativo.

O consumidor não enxerga mais a compra online como nacional ou internacional. Ele enxerga oferta, preço, variedade e conveniência, e escolhe onde a equação é mais favorável.

Preço e variedade pesam mais que a origem

Os dados ajudam a entender a migração. Entre os principais fatores de decisão de compra estão preço reduzido (43%), custo do frete (38%), variedade de produtos (37%) e confiança no site (35%). Plataformas internacionais conseguiram combinar esses atributos de forma mais competitiva, especialmente em categorias como moda, acessórios, casa e beleza.

Não por acaso, 60% dos consumidores compraram produtos importados enviados de outros países, e estima-se que 68,1 milhões de brasileiros tenham feito esse tipo de compra no último ano.

Preferência existe, competitividade, nem sempre

O dado mais revelador da pesquisa é que 60% dos consumidores afirmam que prefeririam comprar em sites nacionais se preços e variedade fossem semelhantes. Ou seja, a perda de participação não decorre de rejeição ao varejo brasileiro, mas de desvantagem competitiva.

Antes de comprar fora, 50% dos consumidores sempre verificam a disponibilidade em sites nacionais, e 47% comparam preços com plataformas brasileiras. A decisão de migrar acontece quando o mercado interno não consegue competir na mesma faixa de valor.

A nova taxa de 20% sobre compras internacionais acima de US$ 50 reduziu o volume de compras para parte dos consumidores, mas não foi suficiente para devolver protagonismo aos marketplaces nacionais. Mesmo com o imposto, 47% afirmam que ainda compensa comprar fora em alguns casos.

O efeito prático é um mercado mais pressionado, em que o varejo nacional precisa disputar cada venda em um ambiente globalizado, com margens apertadas e consumidores altamente comparadores.

O desafio à frente

A queda de 18 pontos percentuais em um ano é um sinal claro de alerta. Para recuperar espaço, marketplaces nacionais precisarão avançar em preço competitivo, sortimento, logística eficiente e experiência do usuário, além de comunicação clara de valor ao consumidor.

O cenário atual mostra que a concorrência não é mais entre empresas brasileiras, mas entre modelos de negócio. E, nesse jogo, quem não conseguir competir em escala, custo e conveniência tende a perder relevância rapidamente.

A pesquisa deixa um recado direto: o consumidor brasileiro já escolheu jogar em um mercado global. Cabe ao varejo nacional decidir como, e se, vai conseguir acompanhá-lo.

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