29 jul, 2026
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Estoque das lojas ganha papel estratégico na logística omnichannel no Fórum E-Commerce Brasil 2026

Em entrevista exclusiva ao portal Varejo S.A., Eu Entrego detalha como dados, entregas rápidas e integração de canais ajudam varejistas a reduzir prazos e aproveitar melhor os produtos disponíveis

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Estoque das lojas ganha papel estratégico na logística omnichannel no Fórum E-Commerce Brasil 2026

Transformar lojas físicas em pontos de distribuição ganha espaço como alternativa para reduzir prazos, aproveitar estoques espalhados pelo país e aproximar os produtos dos consumidores. No Fórum E-Commerce Brasil 2026, a Eu Entrego apresenta uma solução que amplia o modelo de ship from store para entregas nacionais.

O Ship From Store Nacional conecta o estoque das unidades físicas às vendas realizadas pelo e-commerce. Assim, um pedido pode ser separado em uma loja que tenha o produto disponível e seguir para consumidores de outras cidades ou regiões, em vez de depender exclusivamente de um centro de distribuição. A proposta é ampliar a disponibilidade dos itens, reduzir rupturas e evitar que produtos permaneçam parados em determinadas lojas enquanto faltam em outros canais.

Em entrevista exclusiva ao portal Varejo S.A., conduzida por Daniel Sakamoto, gerente executivo da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), Norton Canali, diretor comercial da Eu Entrego, analisou o crescimento das vendas digitais e os desafios de acompanhar esse avanço com operações logísticas mais eficientes.

Na avaliação do executivo, enquanto parte do varejo físico enfrenta dificuldades para crescer acima da inflação, o comércio eletrônico mantém um ritmo mais acelerado. Esse movimento também é impulsionado pela entrada de novos canais e formatos de compra, como as vendas realizadas a partir de vídeos e redes sociais.

A consequência é uma operação mais pressionada. Quanto mais canais geram pedidos, maior é a necessidade de atualizar estoques, localizar produtos, organizar coletas e entregar dentro do prazo apresentado ao consumidor.

Lojas passam a funcionar como centros de distribuição

A solução apresentada no evento amplia um modelo que já era utilizado para entregas locais. Segundo a empresa, a operação realiza coletas diárias em mais de 500 cidades e tem expectativa de movimentar aproximadamente 4 milhões de pedidos em 2026.

A projeção é que o Ship From Store Nacional represente até 30% do faturamento da companhia no período. Nas entregas locais, os pedidos podem ser concluídos no mesmo dia. Para destinos na região Sudeste, o prazo informado é de até dois dias.

“A logística deixou de ser apenas uma etapa operacional e passou a ser uma estratégia de crescimento para o varejo. Com o Ship From Store Nacional, mostramos que é possível transformar toda a rede de lojas em centros de distribuição inteligentes, aumentando vendas, reduzindo custos logísticos e oferecendo uma experiência de entrega mais eficiente ao consumidor”, afirma Canali.

O modelo local já está presente nas principais capitais e em mais de 400 cidades brasileiras. A expansão nacional busca utilizar a capilaridade das redes varejistas para diminuir a distância entre o estoque e o endereço de entrega.

A estratégia também pode ajudar empresas que operam com produtos distribuídos de maneira desigual. Em vez de depender de transferências entre lojas ou concentrar todo o processamento em grandes armazéns, o sistema identifica onde o item está disponível e organiza o envio a partir daquele ponto.

Dados ajudam a evitar tentativas frustradas

Durante a entrevista, Canali destacou que a tecnologia não é utilizada apenas para distribuir os pedidos. Os dados da operação também podem ajudar a prever situações que aumentam o custo logístico, como tentativas de entrega em horários nos quais o consumidor costuma não estar no endereço.

A plataforma proprietária acompanha o pedido, permite avaliações e utiliza informações anteriores para apoiar decisões operacionais. Um dos exemplos citados é a identificação de padrões de disponibilidade do cliente, evitando novas tentativas em períodos com maior probabilidade de insucesso.

Para o executivo, prazo e qualidade do atendimento permanecem como fatores decisivos em um mercado no qual empresas disputam preço. Uma experiência ruim na etapa final pode anular o esforço realizado pelo varejista para atrair o consumidor.

“Às vezes, não adianta o produto ser atraente e o site estar bonito. Chega na hora da venda, o prazo é longo e não engaja a compra. Aí o consumidor prefere ir para o mundo offline”, avalia.

Antes dos drones, ainda há problemas básicos

Ao analisar o futuro das entregas, Canali adota uma posição mais cautelosa sobre drones e veículos autônomos no last mile brasileiro. Na visão dele, limitações de infraestrutura, legislação, burocracia e endereçamento ainda dificultam uma adoção em larga escala no curto prazo.

O cenário é diferente dentro dos armazéns, onde processos de separação, embalagem e etiquetagem já avançam com a robotização. Nas ruas, entretanto, a diversidade territorial do Brasil impõe obstáculos adicionais, como cidades com CEP único e endereços de difícil identificação.

“Tem muita coisa básica que ainda pode ser melhorada antes de ficar olhando para futurologia”, afirma.

A prioridade, segundo o executivo, está em aplicar inteligência artificial e automação a problemas concretos, como reduzir entregas malsucedidas, melhorar o rastreamento e tornar trocas e avaliações mais simples.

O Fórum E-Commerce Brasil 2026 conta com apoio institucional da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e tem o portal Varejo S.A. como media partner oficial.

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