24 jul, 2024
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Abrir uma ESC é oportunidade de negócio no mercado de crédito

Nos últimos anos, esse modelo de negócio tem buscado se consolidar entre os novos atores financeiros para atender a alta demanda de empréstimos dos pequenos negócios que correspondem a 99% das empresas brasileiras.

Foto: José Cruz/Agência Brasil

Quem deseja emprestar recursos próprios para donos de pequenos negócios no Brasil pode operar uma Empresa Simples de Crédito (ESC). Criadas como uma nova modalidade empresarial em 2019, as ESC são uma oportunidade de negócio no mercado de crédito no país, de forma legalizada e simplificada. Nos últimos anos, esse modelo de negócio tem buscado se consolidar entre os novos atores financeiros para atender a alta demanda de empréstimos dos pequenos negócios que correspondem a 99% das empresas brasileiras.

Dados obtidos pelo Sebrae revelam que atualmente o país possui 869 ESC constituídas, totalizando em torno de R$ 663 milhões em capital para empréstimos exclusivamente às micro e pequenas empresas, incluindo os microempreendedores individuais (MEI), dentro de limites territoriais estabelecidos. Esse é maior valor atingido desde o primeiro trimestre de 2020, quando o capital era praticamente metade do atual.

As ESC são regulamentadas de acordo com a Lei Complementar 167/2019 que determina que sua constituição seja sob a forma de empresa individual de responsabilidade limitada (Eireli), empresário individual ou sociedade limitada. A norma também define algumas regras, como por exemplo, que as ESC não podem ser enquadradas no Simples; devem ser tributadas exclusivamente pelo Lucro Real ou Lucro Presumido, têm sua remuneração apenas por decorrência dos juros remuneratórios, devem respeitar o limite de R$ 4,8 milhões de receita bruta anual, bem como o valor total das operações não pode ser superior ao capital integralizado, entre outras delimitações. Conheça mais no Portal do Sebrae, clicando aqui.

O coordenador de Acesso a Crédito e Investimentos do Sebrae Nacional, Giovanni Beviláqua, explica que as ESC podem ser um bom negócio para quem quer ter seu próprio negócio e ao mesmo tempo é uma boa alternativa para os empreendedores que necessitam de recursos de terceiros.

“O acesso ao crédito é uma dificuldade enfrentada pelos empreendedores e, portanto, uma oportunidade muito clara de negócio”, comenta Beviláqua.

Segundo ele, além de serem mais uma opção de oferta de recursos para os pequenos negócios, as ESC se diferenciam das instituições financeiras tradicionais por atuarem em âmbito local, estando mais próximo dos empresários, e principalmente por operarem por processos simples e menos burocráticos.

“É a chamada finanças de proximidade em que o tomador de recursos, por ser próximo dos ofertantes permite a estes um conjunto de informações relevantes que servem para avaliar o risco. Em outras palavras, a ESC, em tese, conhece muito melhor o tomador de crédito local do que as instituições financeiras. Adicionalmente, os processos também tendem a ser mais simples, com menos exigências de documentos”, pontuou Beviláqua.

Cenário no país
Em termos regionais, o Sudeste concentra o maior número de ESC no Brasil, com 389 empresas, sendo a maioria delas localizadas no estado de São Paulo com 266, seguido pelo Sul, onde o estado do Paraná possui 80 empresas ativas, e pelo Centro-Oeste com 133, onde Goiás tem o maior número de empresas com 51. Logo atrás vem o Nordeste com 117, onde o Ceará tem o maior número de empresas com 32 e, por fim, o Norte com 41 empresas, das quais 13 estão no Amazonas.

Quando analisadas por cidades, as capitais lideram as cinco primeiras colocações da lista com São Paulo no primeiro lugar com 102 Empresas Simples de Crédito constituídas. Em segundo lugar vem Brasília, com 31; seguida por Goiânia e Rio de Janeiro, ambas com 28 empresas ativas; depois Curitiba, com 27 ESC.

Em abril de 2020, o Sebrae fez uma pesquisa via web para avaliar as ESC do país. O levantamento apontou que 86% dos donos dessas empresas também atuam em outra atividade relacionada a crédito e/ou mercado financeiro, como empresas de factoring, financeiras ou de cobranças. Em relação às factorings, os empresários responderam que a principal vantagem das ESC é poder trabalhar com garantias reais dos tomadores de empréstimos. Em relação aos bancos, é trabalhar como lucro presumido. A facilidade da gestão do empreendimento e a proximidade do cliente também foram apontadas com outras vantagens relevantes.

Monte sua ESC
Os empreendedores interessados em abrir uma Empresa Simples de Crédito (ESC) podem contar com o apoio do Sebrae, que oferece uma consultoria especializada e gratuita. O processo envolve cinco etapas, em 51 passos, que abrangem as principais informações para colocar a empresa em operação.

Segundo Beviláqua, ainda há um grande espaço para a expansão da atuação das ESC. “Elas podem inclusive agregar valor às suas atividades de crédito com apoio e orientação aos empreendedores, atuar também como agentes disseminadores de boas práticas de gestão financeira, por exemplo, entre outras iniciativas que podem ser associadas”, ressaltou.