Ações de promoção da mulher no mercado são urgentes, dizem especialistas
A CNDL realizou na manhã desta quarta-feira (8/3), Dia Internacional da Mulher, a live ‘Mulheres que Constroem o Varejo – Precursoras da Mudança’.
A CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) realizou na manhã desta quarta-feira (8/3), Dia Internacional da Mulher, a live ‘Mulheres que Constroem o Varejo – Precursoras da Mudança’. O encontro online teve a participação de Fátima Merlin, especialista em Varejo, Comportamento do Consumidor e Shopper; Cibele Vacchiano, especialista em Bens de Consumo, Varejo e Negociação Colaborativa; e Sandra Takata, presidente do Instituto Mulher do Varejo. A mediação ficou por conta de Merula Borges, especialista em Finanças da CNDL.
Ao longo de toda a manhã, várias CDLs realizaram cafés da manhã e palestras para as suas associadas, que puderam assistir à live da CNDL. Centenas de mulheres acompanharam ao bate-papo em todas as regiões do Brasil.
“O Sistema CNDL está atento aos desafios das mulheres brasileiras, em especial às empresárias do nosso país e a este necessário movimento de transformação. Por isso, como principal representante do varejo nacional, se comprometeu com a promoção e o fortalecimento das empreendedoras, por meio do projeto Mulheres que Constroem o Varejo. Nosso objetivo é marcar a importância e reconhecer a força feminina no ambiente de negócios, bem como contribuir para que mais mulheres construam empresas competitivas e capazes de gerar riqueza e renda”, ressaltou o presidente da CNDL.
O encontro virtual discutiu o papel e participação da mulher no setor de Comércio e Serviços e as mudanças que elas têm realizado no setor. Em sua fala de abertura, Fátima Merlin destacou que “as mulheres são a maioria dos shoppers – e portanto, o poder de decisão de compra é delas, no Brasil –, no entanto, o protagonismo delas em cargos executivos e diretivos é muito pequeno, em torno de 5% e 6% das posições”.
Cibele Vacchiano apontou que as mulheres são altamente rentáveis e produtivas, conseguem montar equipes mais diversas e promover times colaborativos. Apesar disso, os vieses inconscientes são grandes sabotadores do fortalecimento da mulher no mercado de trabalho e no empreendedorismo.
“Mesmo nós empreendedoras, com toda a informação e formação que temos, a gente ainda precisa trilhar um longo caminho em busca de quebrar vieses inconscientes e criar planos consistentes de equidade”, disse Cibele Vacchiano.
Sandra Takata trouxe dados sobre as demissões em massa no mundo e o impacto disso na vida das mulheres. Segundo ela, 30 empresas demitiram em massa recentemente, afetando 2 mil pessoas. Destas, 69% eram mulheres.
“Isso é uma boa mostra do porquê há tantas mulheres se virando no mundo do empreendedorismo. Também mostra a urgência de iniciativas de promoção das mulheres no mercado de trabalho”, avaliou Sandra Takata, acrescentando: “podemos começar com ações pequenas, mas efetivas. Precisamos construir isso juntos para mudar as próximas gerações, e para isso, devemos começar as mudanças agora”.
A presidente do Instituto Mulher do Varejo contou ainda sobre a iniciativa do Super das Frutas, em Balneário do Arroio (RS), que atualmente é operado 100% por mulheres. “Dois irmãos donos do supermercado decidiram fazer alguma iniciativa com impacto social. Ao perceber que as mulheres faltavam muito para as entrevistas de emprego e descobrir que a maior parte das candidatas eram chefes de família e não tinham rede de apoio, resolveram fazer uma creche ao lado do supermercado e estenderam a licença maternidade. Elas ainda podem amentar os filhos no horário de trabalho. Além disso, capacitaram mulheres para serem açougueiras e padeiras etc, profissões tipicamente masculinas. Tudo isso começa a mudar toda a sociedade local”, contou.
Ambientes preparados
As participantes da live lembraram que as mudanças estão acontecendo e os padrões comportamentais das pessoas em constante transformação, e isso exige um novo posicionamento das empresas. Também destacaram que não basta contratar mais mulheres. É preciso investimentos, propiciando ambientes receptivos e melhores salários e condições de trabalho.
“Há empresas que contratam mulheres para posições executivas, mas o ambiente é muito hostil. Elas acabam ficando pouco tempo, pois não tem condições de realmente realizar o seu trabalho”, comentou Fátima Merlin.
Os homens também precisam estar mais atentos às necessidades das mulheres e não reduzirem seus desafios e dificuldades, classificando de “mimimi”. É preciso estar aberto ao novo e a outros olhares.
“É uma questão de inteligência coletiva. Se temos diversidade de pensamento, de estrutura, de cultura, de gênero, de raça etc. e tudo isso é direcionado da maneira adequada, teremos muito mais prosperidade”, falou Cibele Vacchiano.
As especialistas falaram ainda sobre os investimentos em educação, formação empreendedora, acesso ao crédito e a promoção de discussões sociais nas famílias, o que pode facilitar do processo das transformações na sociedade.
“Os consumidores querem comprar de empresas que praticam verdadeiramente a diversidade. É, portanto, uma demanda e uma necessidade do consumidor e do shopper. Então, é aquela velha história: ou pelo amor ou pela dor, (o negócio) vai ter que se transformar, ou vai deixar de ser visitado”, conclui Fátima Merlin.
Cartilha
No evento virtual, a Confederação também lançou a segunda edição da cartilha , um trabalho feito pela CNDL em parceria com a Procuradoria da Mulher do Senado Federal. A publicação traz algumas mudanças e transformações que as empreendedoras podem realizar nos negócios para alcançar sucesso e crescimento. Além disso, aborda projetos e iniciativas realizadas pelas FCDLs (Federações das Câmaras de Dirigentes Lojistas) e CDLs que visam fortalecer o segmento e temas em tramitação no Congresso Nacional que merecem especial atenção.
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