Caio Camargo provoca varejistas a repensarem a experiência do consumidor no OmniVarejo 2026
Especialista inaugura o ato “Experiência que encanta”, dedicado às estratégias capazes de aproximar marcas e consumidores
A inteligência artificial não deve mudar apenas a forma como o varejo opera. Ela também começa a transformar quem escolhe, recomenda e, em alguns casos, realiza uma compra. Foi a partir dessa mudança de comportamento que Caio Camargo abriu, nesta sexta-feira (28), a programação de conteúdo do OmniVarejo 2026, em João Pessoa.
Durante a palestra que inaugurou o ato “Experiência que encanta”, o especialista apresentou sua leitura sobre a evolução do setor e defendeu que o varejo caminha para uma nova fase, marcada pela recomendação e pela delegação de decisões de consumo a agentes de inteligência artificial.
A realização do OmniVarejo 2026 conta com o apoio do Governo da Paraíba e patrocínios do Sebrae Nacional, Cielo, Banco do Nordeste, Caixa Econômica Federal, Fecomércio PB e CDL IA. O Varejo S.A. é media partner oficial do evento, que reúne lideranças, especialistas e representantes de diferentes segmentos para debater os principais desafios, tendências e transformações do varejo brasileiro.
Camargo iniciou a apresentação lembrando uma das discussões que marcaram a NRF deste ano, em Nova York: a percepção de que regras consolidadas sobre varejo e comportamento do consumidor começam a ser revistas diante do avanço das novas tecnologias.
“Tudo aquilo que a gente aprendeu nos últimos anos sobre o que era varejo, comportamento do consumidor, toda aquela lição do básico bem feito que a gente sempre falou, está mudando drasticamente”, afirmou.
Das operações eficientes à conveniência extrema
Para explicar essa transformação, Camargo dividiu a evolução do varejo em quatro grandes fases. A primeira, chamada por ele de varejo da eficiência, começa na década de 1950, com a expansão do autosserviço e de grandes operações comerciais. Naquele momento, a vantagem competitiva estava principalmente na capacidade de comprar melhor, ganhar escala e operar com eficiência para oferecer preços menores.
A segunda mudança ganha força a partir dos anos 2000, quando o comércio eletrônico retira da loja física o monopólio sobre a compra. É nesse ambiente que, segundo Camargo, cresce a importância da experiência. “A loja deixa de ser ponto de venda e passa a ser ponto de experiência”, resumiu.
O terceiro período começa em 2020, acelerado pela pandemia, pelo crescimento dos aplicativos e pela consolidação dos marketplaces. Camargo chama essa etapa de varejo da conveniência extrema.
Nesse modelo, reduzir atritos, especialmente o tempo, ganha peso na decisão do consumidor. O especialista citou situações em que clientes aceitam pagar mais para receber um produto mais rapidamente e lembrou que, em plataformas de delivery, prazo e conveniência muitas vezes se tornam tão relevantes quanto o preço.
A lógica apresentada no palco é que o consumidor não compara apenas produto e valor. Ele também calcula quanto esforço e tempo precisará gastar para concluir aquela compra.
O varejo da recomendação
É na quarta fase que a inteligência artificial passa a ocupar um papel diferente. Camargo projeta para os próximos anos o avanço do que chama de varejo da recomendação, no qual agentes de IA deixam de atuar apenas como ferramentas de consulta e passam a funcionar como verdadeiros assistentes de consumo.
Na apresentação, o especialista estimou inicialmente essa mudança para 2030, mas afirmou que ela poderá acontecer antes, entre 2027 e 2028. “A gente vai ter que começar a lidar com essas personas diferentes no mundo, onde o consumidor vai delegar mais as escolhas e a IA também é um cliente”, afirmou.
Nesse cenário, o consumidor poderá solicitar a um agente que encontre determinado produto, compare alternativas, considere preço, prazo, avaliações e preferências pessoais e indique, ou até conclua, a melhor opção.
É nesse ponto que o Agentic Commerce ganha espaço. Diferentemente de uma experiência em que a pessoa utiliza a IA apenas para pesquisar informações, agentes autônomos podem executar etapas da jornada em nome do usuário.
Para os varejistas, surge uma questão que vai além de convencer o consumidor: como fazer com que uma empresa, produto ou oferta também seja compreendida e recomendada pelos agentes que passarão a intermediar essas escolhas?
Camargo resumiu o dilema com uma provocação, “é o Caio que pediu para a IA recomendar a minha loja? Ou é a IA que está comprando em nome do Caio? Ninguém mais sabe”.
Da disputa pela atenção à disputa pela confiança
Outro ponto da apresentação foi a mudança da lógica que sustentou boa parte do marketing ao longo das últimas décadas.
Camargo contrapôs a chamada “Era da Atenção”, em que ser visto era fundamental para ser comprado, a uma “Era da Confiança”, marcada pelo excesso de estímulos, conteúdos e ofertas.
Na primeira, a lógica era simples: quanto mais exposição e marketing, maiores as chances de venda. Agora, em um ambiente no qual o ruído se tornou constante, o especialista argumenta que recomendação, reputação e qualidade da entrega passam a exercer maior influência.
A mudança pode ser resumida pela comparação apresentada no palco: se antes “quem não é visto, não é comprado”, a nova lógica tende a ser “quem não é recomendado, não é comprado”.
Para o varejo, isso significa que presença digital e investimento em mídia continuam relevantes, mas deixam de ser suficientes isoladamente. Produto, logística, experiência, reputação e informações disponíveis sobre a empresa passam a alimentar também os sistemas que ajudarão o consumidor a decidir.
Ao projetar esse próximo estágio, Camargo indicou que a transformação provocada pela inteligência artificial pode ser menos sobre substituir canais existentes e mais sobre alterar quem exerce influência sobre a decisão de compra.
Se essa mudança se consolidar, o desafio para as empresas será duplo: continuar relevantes para as pessoas e, ao mesmo tempo, tornar-se uma opção confiável para os agentes digitais que cada vez mais participarão das escolhas dessas pessoas.
CRONOGRAMA
27/8 – Quinta-feira
- 18h-19h – RECEPÇÃO
- 19h-21h – CERIMÔNIA DE ABERTURA
- 21h-23h – COQUETEL
28/8 – Sexta-feira
- 8h-8h30 – RECEPÇÃO/BOAS VINDAS
- 8h30-9h15 – PALESTRA Tecnologia não encanta, experiência sim
- Caio Camargo
- 9h15-10h15 – PAINEL Como transformar experiência em hábito de consumo?
- Rafael Marconi (O Boticário)
- Elio França (Bauducco)
- Sthefan Ko (id/TBWA)
- 10h15-10h45 – PALESTRA
- 10h45-11h30 – COFFEE BREAK
- 11h30-12h15 – PALESTRA Do varejo físico aps agentes de compra
- Marília Prado (Cielo)
- 12h15-13h – PAINEL Como fazer a tecnologia entregar resultado no varejo?
- Paulo Dargam (Amazon)
- Massimo Enea (VTEX)
- Renato Rodrigues (Softcom)
- 13h-14h – PALESTRA Inteligência artificial – surfando no tsunami
- Walter Longo
29/9 – Sábado
- 8h-8h30 – RECEPÇÃO/BOAS VINDAS
- 8h30-9h15 – PALESTRA Venda é vínculo
- Fabiano Zortea
- 9h15-10h15 – PAINEL Como usar a autenticidade para gerar vantagem competitiva?
- Neilton Neves (Redepharma)
- Felipe Andson (Armazém Paraíba)
- Guilherme Ferreira Costa (FerreiraCosta)
- 10h15-10h45 – PALESTRA Sorriso como modelo de negócios
- Lizete Ribeiro (Rede Tauá)
- 10h45-11h30 – COFFEE BREAK
- 11h30-12h15 – PALESTRA A era da reconfiguração
- Fabio Neto (StartSe)
- 12h15-13h – PAINEL O seu negócio está preparado para o futuro do varejo?
- Roque Pellizzaro (SPC Brasil)
- Gustavo Carvalho (Visa)
- Ericka Albuquerque (Sebrae)
- 13h-14h – PALESTRA Liderando com inovação
- Dafna Blaschkauer
- 20h-3h – Encerramento
- Show de encerramento com Elba Ramalho

