OmniVarejo 2026: Walter Longo defende protagonismo humano diante do avanço da inteligência artificial
Especialista encerra o ato “Tecnologia que conecta” com reflexões sobre liderança, adaptação e relevância em um mercado em transformação
A inteligência artificial não deve ser encarada apenas como uma tecnologia que chega de fora para transformar empresas e profissões. Para Walter Longo, o impacto dessa mudança dependerá também da forma como pessoas e organizações escolhem reagir a ela.
Foi com essa perspectiva que o especialista encerrou, nesta sexta-feira (28), o ato “Tecnologia que conecta” do OmniVarejo 2026, em João Pessoa. Ao longo da apresentação, Longo defendeu uma relação de complementaridade entre inteligência humana e inteligência artificial e chamou atenção para o papel das decisões tomadas agora na construção dos próximos anos.
A realização do OmniVarejo 2026 conta com o apoio do Governo da Paraíba e patrocínios do Sebrae Nacional, Cielo, Banco do Nordeste, Caixa Econômica Federal, Fecomércio PB e CDL IA. O Varejo S.A. é media partner oficial do evento, que reúne lideranças, especialistas e representantes de diferentes segmentos para debater os principais desafios, tendências e transformações do varejo brasileiro.
A forma de enxergar o futuro muda o presente
Longo iniciou sua reflexão mostrando que otimismo e pessimismo não são apenas estados de espírito diante da inovação. Eles podem influenciar investimentos, decisões e a disposição das empresas para experimentar novas possibilidades.
Segundo ele, as pessoas interpretam a realidade a partir de filtros próprios, e essa percepção acaba orientando a forma como agem. “A forma como a gente vê o futuro dirige as nossas ações no presente. E a forma como a gente age no presente determina nosso futuro”, afirmou.
Na prática, uma organização que encara a inteligência artificial apenas como ameaça tende a reduzir experimentação, investimento e aprendizado. Já aquelas que enxergam oportunidades podem se movimentar mais rapidamente e aumentar sua capacidade de adaptação.
Para o varejo, essa diferença de postura ganha importância em um momento no qual a IA começa a avançar por atendimento, marketing, análise de dados, gestão, criação de conteúdo, logística e relacionamento com consumidores.
Homem e máquina, e não homem contra máquina
Um dos pontos centrais da palestra foi a rejeição de uma visão em que tecnologia e pessoas aparecem necessariamente como adversárias.
Longo defendeu uma relação de parceria, na qual a inteligência artificial amplia capacidades humanas sem tornar irrelevantes criatividade, repertório e tomada de decisão. “A inteligência artificial, junto com cada um de nós, não separada, vai unir os pontos, as pontas e as pontes que nos levam a esse futuro. É um processo de parceria”, disse.
Para ilustrar essa relação, o palestrante mostrou como ferramentas de IA podem assumir parte do esforço operacional sem eliminar a participação humana no processo criativo ou estratégico.
Na avaliação de Longo, o momento atual ainda representa apenas os primeiros passos de uma transformação mais ampla. O avanço rápido das ferramentas exige que empresas testem aplicações, aprendam com o uso e desenvolvam novas competências dentro das equipes.
Novas ferramentas, novas capacidades
Ao tratar do impacto sobre profissionais, Longo argumentou que a inteligência artificial pode funcionar como um amplificador de capacidades. “Com a inteligência artificial, homens e mulheres estão se transformando em super-homens e super-mulheres”, afirmou.
Nesse cenário, o desafio das lideranças não está apenas em contratar soluções, mas em criar condições para que as equipes aprendam a utilizá-las com confiança e senso crítico.
A discussão dialoga com um dos pontos que atravessaram o bloco de tecnologia do OmniVarejo, ferramentas isoladas não garantem transformação. Para gerar resultado, elas precisam estar ligadas a problemas concretos, processos organizados e pessoas dispostas a mudar a maneira de trabalhar.
Longo também destacou que nenhuma transformação dessa magnitude acontece apenas por obrigação. Para ele, curiosidade, energia e disposição para experimentar serão componentes importantes da adaptação. “Nada acontecerá sem entusiasmo. Nós vamos ter que nos jogar de maneira entusiasmada nesse novo mundo de possibilidades”, declarou.
O futuro não é destino
Na parte final da apresentação, Walter Longo deslocou a discussão da tecnologia para a atitude das próprias pessoas diante das mudanças.
Em vez de tratar o futuro como algo inevitável, o especialista defendeu que empresas, líderes e profissionais assumam maior responsabilidade sobre o que estão ajudando a construir. “Muita gente acha que o futuro é um lugar para onde a gente está indo. Não é. O futuro é um lugar que a gente está ajudando a construir”, afirmou.
A mensagem encerrou um bloco do OmniVarejo dedicado justamente à aplicação prática da tecnologia. Antes de Longo, a programação reuniu Marília Prado, da Cielo, e o painel com representantes da Amazon Web Services, VTEX e Softcom.
Depois de discussões sobre omnicanalidade, agentes digitais, inteligência artificial e integração de sistemas, a palestra trouxe uma dimensão complementar: a transformação tecnológica pode ser acelerada pelas ferramentas, mas continuará dependendo das escolhas feitas pelas pessoas que decidem como utilizá-las.
CRONOGRAMA
27/8 – Quinta-feira
- 18h-19h – RECEPÇÃO
- 19h-21h – CERIMÔNIA DE ABERTURA
- 21h-23h – COQUETEL
28/8 – Sexta-feira
- 8h-8h30 – RECEPÇÃO/BOAS VINDAS
- 8h30-9h15 – PALESTRA Tecnologia não encanta, experiência sim
- Caio Camargo
- 9h15-10h15 – PAINEL Como transformar experiência em hábito de consumo?
- Rafael Marconi (O Boticário)
- Elio França (Bauducco)
- Sthefan Ko (id/TBWA)
- 10h45-11h30 – COFFEE BREAK
- 11h30-12h15 – PALESTRA Do varejo físico aps agentes de compra
- Marília Prado (Cielo)
- 12h15-13h – PAINEL Como fazer a tecnologia entregar resultado no varejo?
- Paulo Dargam (Amazon)
- Massimo Enea (VTEX)
- Renato Rodrigues (Softcom)
- 13h-14h – PALESTRA Inteligência artificial – surfando no tsunami
- Walter Longo
29/9 – Sábado
- 8h-8h30 – RECEPÇÃO/BOAS VINDAS
- 8h30-9h15 – PALESTRA Venda é vínculo
- Fabiano Zortea
- 9h15-10h15 – PAINEL Como usar a autenticidade para gerar vantagem competitiva?
- Neilton Neves (Redepharma)
- Felipe Andson (Armazém Paraíba)
- Guilherme Ferreira Costa (FerreiraCosta)
- 10h15-10h45 – PALESTRA Sorriso como modelo de negócios
- Lizete Ribeiro (Rede Tauá)
- 10h45-11h30 – COFFEE BREAK
- 11h30-12h15 – PALESTRA A era da reconfiguração
- Fabio Neto (StartSe)
- 12h15-13h – PAINEL O seu negócio está preparado para o futuro do varejo?
- Roque Pellizzaro (SPC Brasil)
- Gustavo Carvalho (Visa)
- Ericka Albuquerque (Sebrae)
- 13h-14h – PALESTRA Liderando com inovação
- Dafna Blaschkauer
- 20h-3h – Encerramento
- Show de encerramento com Elba Ramalho

