25 jan, 2026
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CDL Jovem na NRF 2026: as leituras da nova geração sobre o futuro do varejo

Para os representantes da CDL Jovem, o principal aprendizado é que o varejo entrou definitivamente na fase da execução

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CDL Jovem na NRF 2026 as leituras da nova geração sobre o futuro do varejo

A presença da CDL Jovem na NRF 2026, maior evento de varejo do mundo, reforça que a nova geração de lideranças brasileiras está menos interessada em tendências abstratas e mais focada em como aplicar, adaptar e transformar o que vê no cenário global para a realidade dos pequenos e médios negócios no Brasil.

Ao longo da feira, temas como inteligência artificial aplicada à operação, novas formas de descoberta de produtos, ressignificação das lojas físicas, novos modelos de monetização e formação de lideranças dominaram as discussões. Para os representantes da CDL Jovem, o principal aprendizado é claro: o varejo entrou definitivamente na fase da execução.

IA deixa de ser promessa e passa a operar nos bastidores

Para Raphael Paganini, coordenador nacional da CDL Jovem, a NRF 2026 marcou uma virada simbólica: depois de anos de debates conceituais, a inteligência artificial entrou em fase de implementação prática e consolidada no varejo mundial. Segundo ele, a grande mudança não está mais no potencial da tecnologia, mas na forma como ela já opera em processos reais, com base em dados e entregas concretas. “A tecnologia disponível hoje nos países de primeiro mundo é a mesma acessível no Brasil, o que diminui o gap tecnológico e democratiza o acesso à análise de dados”, avalia.

Essa leitura também aparece na visão de Raquel Agnes, vice-presidente da CDL Jovem Fortaleza, que destaca a consolidação da chamada IA invisível, aquela que não aparece para o consumidor, mas atua de forma silenciosa para reduzir atritos, antecipar necessidades e apoiar decisões. “Para o varejo brasileiro, especialmente pequenos e médios negócios, isso é extremamente relevante porque mostra que não é sobre tecnologia cara, e sim sobre usar dados, contexto e automação para ganhar eficiência, entender melhor o cliente e competir com mais inteligência, mesmo com estruturas menores”, destaca.

O avanço da IA também começa a transformar a própria jornada de compra. Para Carlo Eduardo Grimaldi, presidente da CDL Jovem Belo Horizonte, um dos pontos mais relevantes da NRF 2026 foi o lançamento do Universal Commerce Protocol (UCP), apresentado por Sundar Pichai, presidente do Google, ao lado do presidente do Walmart. “Isso transforma o chat de conversa com o cliente em um verdadeiro ponto de venda, com checkout e pagamento integrados. Busca e conversa deixam de ser apenas canais de descoberta e passam a ser canais transacionais”, explica.

Para o varejo brasileiro, o desafio passa a ser qualidade de dados, estoque em tempo real e estratégia clara para evitar dependência excessiva de intermediadores digitais.

O impacto na forma de vender

Outro ponto que chamou atenção da comitiva foi a mudança no comportamento do consumidor na hora de buscar informações. Para Marcos Felipe Dias Brinhosa, coordenador da CDL Jovem de Santa Catarina, a NRF deixou evidente que a IA começa a substituir os buscadores tradicionais como porta de entrada para a jornada de compra.

“As pessoas estão pesquisando produtos e serviços diretamente nas ferramentas de IA, e isso muda completamente a forma como compram. O varejo vai precisar pensar em ranqueamento dentro das inteligências artificiais, não apenas nos mecanismos de busca tradicionais”, afirma.

A mudança exige um novo olhar para conteúdo, dados e presença digital, especialmente para pequenos e médios varejistas que dependem de visibilidade para competir.

Do varejo como loja ao varejo como plataforma de serviços

Além da transformação tecnológica, a NRF 2026 também reforçou uma mudança estrutural no modelo de negócio do varejo. Para Carlo Grimaldi, ficou claro que serviços e plataformas já são o principal motor de lucro das grandes empresas globais.

“Empresas como Walmart, McDonald’s e Carrefour mostraram que o produto isolado deixou de sustentar margens saudáveis. Hoje, grande parte do resultado vem de camadas adicionais, como logística própria, monetização de dados, serviços financeiros, programas de assinatura e publicidade de varejo”, explica.

O aprendizado, segundo ele, é que o varejo deixou de ser apenas um canal de venda e passou a operar como uma plataforma de serviços, explorando ativos que já possui: lojas físicas, relacionamento com o cliente, frequência de compra e dados comportamentais. No Brasil, isso pode ser aplicado por pequenos e médios negócios com clubes de vantagens, serviços agregados, parcerias logísticas, meios de pagamento próprios e ofertas personalizadas.

Lojas físicas viram centros de experiência e comunidade

Mesmo com o avanço digital, o evento também reforçou o valor do contato humano, onde a loja física, segundo os jovens líderes, não perdeu espaço, ela mudou de função.

Raquel Agnes destaca que marcas globais e brasileiras apresentaram cases de lojas transformadas em ambientes de entretenimento, escuta ativa e relacionamento, onde vender é consequência, não objetivo único.

Com esse mesmo pensamento, Paganini explica que o e-commerce assumiu o papel da conveniência, enquanto o ponto de venda físico se consolida como espaço de experiência, conexão e relacionamento. Percepção também compartilhada por Marcos Brinhosa, que ainda aponta a criação de jornadas mais longas e do senso de comunidade como diferenciais competitivos.

Formação de lideranças e visão de longo prazo

Para além das tendências, a participação da CDL Jovem na NRF 2026 também cumpre um papel estratégico: preparar a próxima geração de empresários para liderar um varejo mais complexo, tecnológico e humano. “A NRF é importante para que saibamos o que vem por ai e precisamos estar atentos para adaptar essas tendências para o nosso público”, avalia Brinhosa.

Já Grimaldi ressalta que o evento amplia o repertório do empresário. “A NRF amplia o repertório, a visão estratégica e acelera a maturidade de quem está construindo o futuro do setor. Não é só sobre tecnologia, mas sobre novas formas de pensar e liderar”, afirma. Raquel complementa que o encontro ajuda a refletir. “A feira não entrega respostas prontas. Ela provoca, inspira e acelera o desenvolvimento de quem está construindo o futuro do varejo”, destaca.

Raphael conclui citando que o equilíbrio definirá o sucesso das próximas lideranças: “O diferencial estará na união entre eficiência tecnológica e sensibilidade humana”.

Mais do que antecipar tendências, a nova geração volta da NRF com um entendimento de que o futuro do varejo será construído na integração entre dados, tecnologia e relações humanas, com adaptação local e execução prática.

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