NRF 2026: Bauducco destaca IA prática, omnicanalidade sem fricção e a loja como destino de experiência
Em conversa exclusiva com o Portal Varejo S.A., a Bauducco analisa os principais aprendizados da NRF
Envato
A NRF 2026 reforçou uma mudança importante na agenda do varejo global: menos discurso conceitual e mais aplicação prática de tecnologia. Para a Bauducco, o evento deixou claro que a Inteligência Artificial entrou definitivamente na operação, enquanto a omnicanalidade passou do campo da estratégia para o da execução cotidiana.
Em conversa conduzida pelo gerente executivo da CNDL, Daniel Sakamoto, o Portal Varejo S.A. falou com exclusividade com Eduardo Abritta, diretor de Trade da Bauducco, que destacou a importância do evento como espaço de benchmark, negócios e conexão com o varejo brasileiro e internacional. “A NRF é relevante porque combina conteúdo inspiracional com soluções práticas. É possível entender o que já está acontecendo e como aplicar isso no dia a dia do varejo”, afirma.
Omnicanalidade deixou de ser diferencial
Um dos pontos mais recorrentes nos painéis e na feira, segundo o executivo, foi a consolidação da jornada omnichannel como obrigação competitiva. “Hoje o consumidor começa a compra em um canal e termina em outro, muitas vezes sem perceber essa transição. A tecnologia precisa garantir que essa jornada seja fluida, sem barreiras”, diz.
Para a Bauducco, que atua em um ecossistema que inclui indústria, ponto de venda, lojas próprias, cafeterias e e-commerce, essa integração é estratégica. “Não faz mais sentido pensar em canais isolados. A experiência precisa ser contínua e coerente em todos os pontos de contato”, reforça.
Outro destaque da NRF 2026 foi a percepção de que a Inteligência Artificial deixou o campo do hype e passou a entregar valor concreto. “O interessante deste ano foi ver a IA aplicada na prática, tanto na jornada de compra quanto na gestão operacional”, explica Eduardo.
Entre os exemplos observados, ele cita agentes de IA que auxiliam o consumidor desde a descoberta do produto até a compra, além de aplicações voltadas à eficiência operacional, como análise de imagens, sensores, câmeras inteligentes e automação de processos internos. “São soluções que ajudam a ganhar produtividade, margem e eficiência, algo essencial para 2026.”
Retail Media e comunicação no ponto de venda ganham maturidade
Retail Media apareceu novamente como um dos temas centrais da NRF, mas com uma abordagem mais madura. Para o executivo, a discussão evoluiu do conceito para a execução. “O ponto de venda deixou de ser apenas um local de transação. Ele é um canal de mídia, de experiência e de construção de marca.”
Eduardo destaca que a comunicação dentro da loja precisa ser contextualizada. “Não é replicar campanhas de outros canais. A mensagem no checkout é diferente da mensagem em outra seção da loja. A mídia precisa estar integrada à jornada de compra, sem atrapalhar o fluxo do consumidor.”
A NRF também reforçou um novo papel para a loja física: ser um local que o consumidor queira visitar. “Hoje o consumidor não precisa mais ir à loja. Ele precisa querer ir”, afirma Eduardo. Segundo ele, esse movimento exige oferecer algo que não esteja disponível fora daquele ambiente. No caso da Bauducco, isso se traduz em portfólios exclusivos, experiências diferenciadas e ações de engajamento nas lojas próprias e cafeterias. “A venda passa a ser consequência da experiência. A loja precisa ser um local de encontro, de acolhimento e de conexão com a marca.”
Liderança e cultura diante da tecnologia
Para além das soluções, a NRF 2026 trouxe reflexões importantes sobre o papel da liderança. “Como líderes, precisamos estimular o uso da tecnologia no dia a dia das equipes”, diz Eduardo. “É se perguntar constantemente: isso que estamos fazendo pode ser feito por uma IA? Se pode, vamos automatizar e liberar tempo para criatividade e inovação.”
Na avaliação do executivo, o varejo brasileiro está preparado para esse movimento. “O Brasil tem infraestrutura, talento e interesse. O fato de sermos uma das maiores delegações da NRF mostra que estamos atentos e prontos para aplicar o que há de mais avançado.”
Ao final, Eduardo resume os principais aprendizados para 2026. “O primeiro é começar a usar IA de forma prática, sem enxergá-la como algo distante ou complexo. O segundo é repensar a loja física como um espaço que realmente valha a visita do consumidor”, finaliza.

