27 maio, 2026
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Empresas brasileiras mostram experiências de co-CEOs

Coliderança é uma opção ousada, precisa de definição clara de papéis, mas tem EBIDTA maior quando bem afinada

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60% dos CEOs de empresas familiares são profissionais externos

A gestão empresarial com dois CEOs no comando tem vários exemplos internacionais bem-sucedidos, como os casos da Netflix e da Salesforce. Os chamados co-CEOs também começam a ser uma realidade no Brasil, e três exemplos recentes indicam os benefícios do modelo.

O primeiro deles envolve uma singularidade adicional: as duas co-CEOs da fintech ACG – Liliane Josua Czarny e Adriana Katalan – também são irmãs. Elas defendem que um dos ingredientes do sucesso da gestão compartilhada é exatamente a convivência prévia. No caso delas, essa etapa envolveu mais de 20 anos vivendo na mesma casa, quando ambas eram solteiras.

Especializada em pacotes de benefícios para funcionários de outras empresas, a fintech movimentou R$ 4,7 bilhões em transações durante 2024. Em menos de um ano, a empresa também dobrou o número de colaboradores, comprovando o acerto da coliderança, na avaliação das CEOs.

Operando desde 2021 nessa configuração, elas destacam a comunicação direta como uma ferramenta importante, além da proximidade para a tomada de decisões. Outra dica da dupla é sempre finalizar as demandas que precisam da etapa de fechamento.

Divisão de atividades é um desafio

O segundo exemplo de co-CEOs é o da incorporadora Tishman Speyer, focada no mercado de alto padrão. Assim como na ACG, a coliderança envolve duas executivas – Leila Jacy e Haaillih Bittar –-que dividem o comando das operações desde 2022. O maior desafio, segundo elas, é a divisão de atividades.

No caso da incorporadora, os papéis são claros: Leila cuida da área de negócios, enquanto Haaillih responde pela gestão das áreas financeira, jurídica e de RH. Detalhe: ambas também têm um relacionamento profissional que supera dez anos.

A dupla masculina Lindolfo Paiva e Johannes Castellano, co-CEOs da rede de franquias de doces Mr.Cheney, é mais um exemplo brasileiro. O compartilhamento acontece desde 2022 e um dos conselhos da dupla é que os CEOs não devem se preocupar em pensar exatamente da mesma maneira.

O sucesso dos casos brasileiros de cogestão, descritos na reportagem do jornal Valor, também tem comprovação internacional, segundo Paulo Almeida, diretor do Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento em Pessoas e Liderança da Fundação Dom Cabral (FDC).

De acordo com ele, empresas com coliderança afinada em alto nível têm um desempenho 6% superior no EBIDTA, ou seja, no resultado de lucro antes da aplicação de impostos, depreciação e amortização. Ele acrescenta ainda que esse modelo tem ganhado impulso quando envolve cenários de sucessões familiares, fusões ou ainda de transformação digital.

Almeida ressalta que a alternativa de cogestão é uma opção ousada de escolha organizacional, e um dos seus principais desafios é deixar bem claro o papel de cada co-CEO na corporação.

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