Flores online: DNA digital evitou que empresa fosse pega pela crise

Criada como uma pequena floricultura há 20 anos, empresa não só soube driblar os percalços da Covid-19 como já está consolidando sua atuação no mercado internacional

O mercado de flores foi um dos mais impactados durante a crise do novo coronavírus. O cancelamento de eventos foi o principal motivo das perdas registradas pelo setor. As vendas de plantas ornamentais chegaram a cair 70%. Felizmente, nem toda cadeia foi afetada. Empresas que já tinham uma estrutura baseada em serviços online conseguiram se sair bem.

Criada como uma pequena floricultura há 20 anos, a Flores Online não só soube driblar os percalços da Covid-19 como já está consolidando sua atuação no mercado internacional. Não é para menos. A empresa nasceu com DNA digital e, desde o ano passado, já estava se preparando para voos mais ousados.

Lucas Buffo, CEO da Flores Online

A Varejo S.A conversou com Lucas Buffo, CIO da Flores Online, para entender como que a companhia avançou suas operações em plena pandemia e de como o mercado de flores está se adaptando a esse momento de crise.

– Muitas floriculturas foram impactadas pela crise do coronavírus. Vocês sentiram esse baque?  

A Flores Online já nasceu digital. Isso fez com que nós conseguíssemos nos ajustar rapidamente a essa nova realidade, onde as compras online passaram a ter um papel fundamental para os estabelecimentos. Uma das coisas que a pandemia fez foi acelerar a mudança de hábitos dos consumidores que ficaram bem mais abertos às compras pela internet.

Com a mudança de comportamento, comprar flores e presentes online reforçou o “estar perto, mesmo longe”, uma maneira de demonstrar carinho e amor e, com isso, desde março, a Flores Online sentiu o aumento nas vendas.

As entregas dos nossos pedidos para fora da cidade de São Paulo é feita por floriculturas parceiras, e esse aumento de pedidos foi importante também para que elas mantivessem uma fonte de receita durante os períodos em que suas lojas estavam fechadas. 

– Vocês abriram os serviços online em 1998. Imaginavam que a digitalização dos serviços seriam tão decisiva quanto está sendo agora?

A Flores Online foi fundada em 1998 pela florista Fátima Casarini que, incentivada pelos filhos, criou um canal para venda de seus produtos na internet. Em 2012, a empresa recebeu investimentos da 1800Flowers, maior e-commerce de flores e presentes dos Estados Unidos, e do fundo de investimentos BR Opportunities. Em 2017, adquirimos a marca já com experiência nesse mercado e hoje atuamos com mais duas, Isabela Flores e Uniflores. Naquele tempo, o advento da internet já era uma tendência, mas ninguém imaginava uma situação como essa pandemia. De qualquer forma, esse processo vem sendo acelerado por cobrir necessidades de um mercado de consumidores que busca cada vez mais praticidade e agilidade.


– Como tem sido a adaptação do mercado de floricultura neste momento de pandemia?

Temos um sistema que permite monitorar a situação de estoque, logística e pedidos de cada floricultura e conseguimos trabalhar distribuindo as demandas e solucionando eventuais problemas. Tudo isso, é claro, seguindo as recomendações da organização mundiais de saúde com o uso de máscaras, luvas e álcool em gel em todos os processos, inclusive nas operações. Sentimos que houve um fortalecimento da nossa relação com os parceiros, pois os ajudamos a encontrar soluções para que não parassem totalmente. 

– Todos falam em mudança dos negócios, dos clientes, etc. Além da digitalização, o que deve mudar no universo de floriculturas depois dessa pandemia?

Acredito que a mudança será em toda a cadeia, desde os produtores até os consumidores. Por mais que tenhamos um aumento nas vendas, o varejo físico sofreu muito. Não só pelo fechamento das lojas e pelo cancelamento de eventos como casamentos, formaturas, convenções e vários outros. Boa parte da receita do setor vem da atividade de decoração. Sem o consumo, os distribuidores ficaram parados e com isso os produtores tiveram uma grande perda da produção. É um efeito em cascata. Ajustes já estão sendo feitos, como a produção mais sustentável e o aumento da capilaridade da rede de distribuição. É curioso que uma atividade que estava sendo considerada “ultrapassada” esteja tão preparada para lidar com uma situação disruptiva como a que estamos vivendo. As floriculturas já faziam “delivery” de presentes e aproximavam as pessoas.

– Desde o ano passado vocês investem no mercado internacional. Que tipo de adaptação vocês terão que fazer agora?

Hoje estamos presentes em mais de 30 países como Espanha, Itália, Alemanha, Reino Unido, França, Portugal, Suíça, Irlanda, Dinamarca, Argentina, Chile, Uruguai, México, Emirados Árabes Unidos, Israel, Noruega, entre outros. A análise dos locais levou em consideração vários fatores, principalmente, países que têm costume de comprar flores

O nosso planejamento previa disponibilizar as entregas internacionais no site da Flores Online no primeiro semestre de 2020, porém com a pandemia do coronavirus tivemos que rever o planejamento, mas isso deve acontecer ainda em 2020. Os principais ajustes que tivemos que fazer são o recebimento e o pagamento em diversas moedas, e a tradução do site.

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