14 jul, 2024
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Líderes atuais podem aprender com a história dos imperadores romanos

Especialista em história clássica, Mary Beard explica como era ser um governante no mundo antigo e quais os aprendizados para a sociedade atual

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Líderes atuais podem aprender com a história dos imperadores romanos

A historiadora britânica Mary Beard acredita que os imperadores romanos podem inspirar um modo de liderança moderno. Professora da universidade de Cambridge, ela é famosa por obras sobre a histórica clássica, entre eles o livro Emperor of Rome. Com esse conhecimento, Mary chama a atenção para alguns comportamentos imperais que estão superatualizados e que turbinariam a liderança dos executivos dispostos a mergulhar um pouco em história clássica.

Um deles é a capacidade de ouvir, principalmente as pessoas da camada de base. Ela lembra que os imperadores romanos passavam muitas horas julgando processos judiciais de cidadãos de todo o império. Esse procedimento de estudar problemas de seus liderados era visto como essencial se eles quisessem estabelecer a sua liderança.

A iniciativa também os tirava do papel mais conhecido de poder, ilustrado pela pompa das cerimônias e pelo luxo das vestes imperiais, e os colocava em conexão direta com a realidade. “Por trás do modelo romano tradicional de líder bem-sucedido, os imperadores enfatizavam aspectos do poder que poderiam ser mais úteis para nós”, enfatiza a historiadora em artigo recente.

Outra lição é a visibilidade, inclusive no estabelecimento de uma imagem pública. Para Mary, as iniciativas estabeleceram uma espécie de “marca”. Se pensarmos rapidamente, a marca Império Romano é extremamente bem-sucedida e lembrada até hoje. A lição que os líderes atuais podem aprender têm como exemplo as estátuas e as moedas com o rosto dos imperadores.

Apesar de poder ser interpretado como um gesto de arrogância, as duas ações mostram um processo de forjar um sentido de identidade e comunidade entre as pessoas. Repetindo: uma marca.

A co-gestão também encontra eco no mundo clássico dos romanos. Para Mary, os co-imperadores não foram um caso raro. Mais do que isso, esse tipo de reinado mostrava que colaborar era não só importante, como impactante na condução do império.

Os pontos citados por ela poderiam ser resumidos em três ações: escutar cada indivíduo, criar um senso de comunidade e, por fim, colaborar com seus pares. Ou seja, fazem eco com o que pregam muitos consultores atuais em liderança.

Na avalição da autora, a Roma Antiga oferece o lugar perfeito para pensar “fora da caixa”. “Pode não ser a primeira direção que um líder empresarial escolheria olhar, mas estou confiante de que, se o fizesse, encontraria algumas respostas genuinamente inspiradoras e úteis”, opinou Mary.