Moda fitness ganha força após mudança de hábitos na pandemia da covid-19

Foto: Laura Juarez/Pixabay

Com mais de 400 mil vidas perdidas por causa da covid-19 no Brasil, seria absurdo dizer que a pandemia teve algum lado positivo. Mas um reflexo importante para o brasileiro foi a procura pela melhoria da saúde e qualidade de vida. Esse movimento impulsionou os negócios do mundo fitness. Após as medidas restritivas que forçaram as pessoas a ficarem em casa para tentar controlar o contágio do novo vírus, houve um onda de pessoas procurando por academias, box de crossfit, consultórios de nutrição e fisioterapia, mercado de alimentação saudável e, porque não, moda esportiva.

Mas antes mesmo dessa retomada, o mercado de roupas esportivas se viu em alta, ainda durante o lockdown, com as pessoas se exercitando em casa e buscando peças confortáveis para se vestir. Mesmo sem dados analíticos, o presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) de Santa Cruz do Capibaribe, no polo de confecções do Agreste de Pernambuco, Bruno Bezerra, diz que a forte busca pela moda fitness foi sentida pelo setor. “A saúde ficou muito em pauta na pandemia. Não existe um levantamento formal, mas a quantidade de empresas produzindo moda fitness e se profissionalizando no segmento cresceu. Sobretudo em redes sociais, para venderem suas marcas”, observa Bezerra.

No entanto, segundo a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), para 2021 estima-se um crescimento de 10,4% na produção de vestuário em volumes, atingindo 5,5 bilhões de peças. Em valores estima-se uma receita total de R$ 141,7 bilhões, o que representaria alta de 12,3% em valores nominais (R$), em relação a 2020. Nesse contexto de crescimento, a moda fitness representa cerca de 20% do setor de vestuários.

Há análises de mercado que apontam para um aumento de mais de dez vezes na venda de equipamentos para se exercitar e, é claro, isso impactou as vendas do mercado de moda esportiva. Também houve uma mudança na rotina das pessoas, o que possibilitou que o estilo versátil das peças fosse praticado em diversas ocasiões no dia a dia, não apenas na hora dos exercícios físicos. No ano passado, a Honey Be, um dos maiores e-commerces de moda fitness do Brasil, fechou o ano com crescimento de 65% e faturamento de R$ 80 milhões.

O crescimento não se restringiu às grandes marcas. Através das redes sociais, empresas locais ganharam força na pandemia. Foi o caso pernambucana Atletas com Estilo , que tem sete anos de mercado e dez lojas espalhadas pelo Grande Recife, além de uma fábrica para confecção das peças. Raíssa Diniz é o nome por trás da marca e o rosto nas lives e stories do Instagram, ferramenta que se tornou imprescindível para o negócio durante a pandemia.

A empresária conta que a empresa vinha se consolidando no mercado fitness, vivendo um bom momento nas vendas, quando a pandemia bateu a porta em 2020. “Em 2019 nós cometemos alguns erros, compramos muito tecido e outras coisas. Aí colocamos como meta que 2020 seria o ano do acerto, nada poderia dar errado. Tivemos um início de ano de crescimento, mas em março a pandemia chegou e eu pensei: ‘pronto, agora lascou'”, conta a empresária Raíssa Diniz.

Pega no susto e com suas lojas fechadas por causa das medidas restritivas do plano de convivência com a covid-19, Raíssa acabou precisando demitir funcionários e se viu endividada. “Foi nesse momento que decidimos investir ainda mais nas redes sociais e passamos a oferecer o delivery. Isso foi o que nos salvou. Como temos preços acessíveis, com tops a R$ 12, por exemplo, as pessoas passaram a comprar bastante para se exercitar em casa”, relembra.

O modelo de negócio fez as vendas alavancarem. Após a reabertura do comércio, a Atletas com Estilo seguiu com as vendas aquecidas. Em 2021, no novo lockdown em março, a empresa já soube lidar melhor com a situação e passou a investir em lives mostrando as promoções. “A primeira live tinha umas 40 pessoas assistindo, mas nosso WhatsApp pipocou. Na última que fizemos já eram mais de 240 clientes acompanhando”, observa Raíssa Diniz.

Tamanho sucesso através das redes sociais fez a Atletas com Estilo quase dobrar a meta estabelecida. A ideia inicial era vender R$ 200 mil em peças durante as duas semanas do lockdown, mas o faturamento neste período ficou em R$ 350 mil. Hoje a empresa já tem horizontes mais otimistas. “Mesmo antes da pandemia a gente não chegava nesse valor, então é claro que temos receio do que a pandemia ainda vai nos trazer”, opina Raíssa, que abriu recentemente sua mais nova loja no Cabo de Santo Agostinho. O empreendimento, hoje, emprega, mesmo com a pandemia, 50 pessoas.

Quem também sentiu o incremento nas vendas foi a empresária Rebecca Ferraz, que abriu sua primeira loja física no segundo semestre de 2020, após o primeiro lockdown. A marca FRBX Store é especializada em roupas e equipamentos para praticantes de crossfit . A empresa nasceu nas redes sociais, como o Instagram, e depois ganhou um espaço para chamar de seu dentro do Crossfit Seabox, em Olinda.

A decisão de sair do digital para um espaço físico foi arriscada, mas deu certo. “Fui até bem relutante no início, mas estava de olho no fluxo de alunos que o box tinha e que seriam clientes em potencial. Na primeira semana não vendi nem R$ 200, mas depois as pessoas lotaram o box em busca de saúde e qualidade de vida. Nunca vendi tanto como naquele momento, mesmo com a pandemia”, relembra Rebecca.

Também estudante de educação física, a empresária confirma que a prática de exercícios vive um momento de alta, pois a pandemia da covid-19 levou as pessoas a buscarem pela saúde física e mental. “A moda fitness veio nesse embalo. As pessoas compram roupas adequadas para treinar, mas também já é comum ver que estão usando as peças no dia a dia.”

Rebecca está certa, a moda fitness está presente não só nas academias, mas também nas ruas. O empreendedor dessa área tem investido em peças arrojadas que valorizam a silhueta, recortes amplos e detalhes com transparências, mas sem marcar o corpo de forma reveladora. A boa notícia, inclusive, é um mercado que tem muito a crescer.

Atualmente, o Brasil é o segundo país com maior número de academias do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, além de ser o terceiro em volume de faturamento, com US$ 2 bilhões, segundo relatório da IHRSA Global Report 2019. Ainda assim, os números mais recentes da Organização Mundial da Saúde sobre sedentarismo no Brasil impressionam: 47% da população não pratica atividade física, ou seja, um forte nicho de mercado.

Fonte: Jornal do Comércio
Foto: Laura Juarez/Pixabay

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