15 jun, 2026
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Mundo vive crise de desconfiança e ressentimento

Relatório 2025 da Edelman Trust Barometer aponta que 61% dos entrevistados questionam instituições e 40% defendem manifestações hostis para promover mudança deste quadro

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Mundo vive crise de desconfiança e ressentimento

Uma crise de desconfiança em relação às instituições e seus líderes em geral vem gerando um elevado índice de ressentimento e desconforto em todo o mundo, segundo o relatório de 2025 do levantamento global Edelman Trust Barometer.

O documento apontou que 61% dos entrevistados em 28 países têm um sentimento moderado ou alto de ressentimento, que é definido pela crença de que o governo e as empresas tornam suas vidas mais difíceis e servem a interesses estreitos, e as pessoas ricas se beneficiam injustamente do sistema. No recorte do Brasil, esse índice é ainda mais alto, com 64% dos ouvidos mencionando o ressentimento.

Como consequência dessa crise, a pesquisa chegou a um dado alarmante, que é a forma de parte dos entrevistados responderem a esses sentimentos com manifestações hostis. 40% – ou 4 em cada 10 pessoas – aprovariam uma ou mais das seguintes formas de ativismo: atacar pessoas online; espalhar intencionalmente desinformação; ameaçar ou cometer violência; ou danificar propriedade pública ou privada. Esse sentimento é mais prevalente entre os entrevistados de 18 a 34 anos. Embora no Brasil o índice de ressentimento seja mais alto que a média apontada na pesquisa, a aferição dos que apoiam o ativismo hostil por aqui é mais baixa, de 31%.

Empresas lideram ranking de confiança

O relatório global diz que a queixa generalizada está corroendo todos os setores relevantes na sociedade. A pesquisa aponta que, de uma forma geral, as empresas lideram o ranking de confiança: dos entrevistados, 62% dizem confiar nas empresas, contra 58% nas ONGs, 52% no governo e 52% na mídia. Mas, em um recorte mais detalhado, dos que demostram altos graus de ressentimento, apenas 25% confiam no governo, 34% na imprensa, 42% nas empresas e 45% nas ONGs. Já dentre os que apresentam índice de ressentimento baixo, 71% confiam nas empresas, 68% no governo, 63% nas ONGs e 61% na mídia.

Mesmo com índices gerais de confiança nas instituições acima de 50%, ainda em um recorte mais detalhado, o receio de que os líderes estejam “mentindo” ou enganando as pessoas de propósito, com declarações ou informações que sabem ser falsas ou grosseiramente exageradas, atingiu o maior nível da história do Trust Barometer, havendo um salto entre 2021 e 2025. Em relação a jornalistas e repórteres, o medo da mentira subiu de 59% em 2021 para 70% em 2025. Sobre os líderes empresariais, o receio subiu de 56% para 68%. Já em relação ao governo, o salto foi de 58% para 69%.

O conceito da população em relação aos mais ricos também não é nada bom, pois os entrevistados acreditam que esta fatia da sociedade tem mais do que merece. Para 67% dos participantes da pesquisa, os ricos não pagam o quanto deveriam de impostos. E para 65% o egoísmo dos ricos “causa muitos de nossos problemas”.

Globalização e tecnologia preocupam

Para a maior parte dos entrevistados, os receios com globalização, economia e tecnologia ameaçam a segurança no emprego. Em relação à globalização, esta segurança estaria sendo ameaçada por conflitos comerciais internacionais (62%), concorrentes estrangeiros (59%) e realocação de vagas no exterior (54%). Já 63% preocupam-se com uma recessão iminente. E a tecnologia levanta receios devido à automação e falta de qualificação, para 58%.

Ainda no item tecnologia, em relação à Inteligência Artificial, quanto maior o ressentimento, maior a desconfiança. À citação “eu confio na IA’’, os que têm nível de ressentimento alto responderam 34%. Dentre os que têm nível moderado de ressentimento, 46% disseram confiar na IA. Já dentre os que apresentam nível baixo de ressentimento, 56% são positivos em relação à IA.

Desafios para as corporações

Mesmo liderando o ranking geral de confiança, as empresas têm que lidar com vários desafios para conquistar a sociedade. O índice de confiança nos empregadores, por exemplo, viveu uma queda sem precedentes. Do total entrevistado em 2024, 78% acreditavam que seu empregador atuasse corretamente. Em 2025, o índice caiu para 75%. A confiança nos líderes empresariais também caiu. À questão “eu confio nos CEOs em geral”, na faixa dos mais ressentidos, a resposta “sim” ocupa apenas 30%. Já nos de nível de ressentimento baixo, 64% afirmam confiar nos CEOs.

Um fato curioso levantado pelo relatório é que cientistas e professores têm índices de confiança mais altos do que os líderes institucionais. Ao todo, 77% acreditam nos cientistas e 75% nos professores.

Como as instituições devem desenvolver a confiança

A pesquisa revelou ainda que o grau de expectativa para o futuro é frustrante, com pouco otimismo para a próxima geração. Apenas 36% afirmam que, em comparação com os dias de hoje, “a próxima geração estará melhor”. Ao todo, o Trust Barometer ouviu 33 mil pessoas. O relatório dá um recado a cada instituição para que possam desenvolver índices mais positivos na sociedade.

  • Empresas: ressentimento gera exigência de mais ação das corporações; CEOs têm permissão para agir quando podem fazer a diferença e melhorar o desempenho.
  • Empregadores: deve-se impedir que o ressentimento prejudique a colaboração no trabalho.
  • Governos: devem oferecer resultados que beneficiem a todos; governantes devem reforçar sua autoridade para gerar impacto positivo na sociedade.
  • ONGs: devem combater as divergências e consertar o tecido social, atuando como uma força unificadora no planeta.
  • Mídia: deve priorizar os fatos; informar o que as pessoas precisam saber, em detrimento de buscar audiência a qualquer custo.

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