15 jun, 2026
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Preservar legado é a chave para a longevidade nas empresas familiares

Conceito deve ser mantido e não pode ser um fardo para as próximas gerações, assim como transição precisa ter regras claras

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Preservar legado é a chave para a longevidade nas empresas familiares

A lista das empresas familiares mais antigas do mundo envolve alguns nichos de mercado, como a construção, com destaque para os estaleiros, a produção de vinho e de azeite e a fabricação de vidros. A japonesa Kongo Gumi, da área de construção de templos, é a mais antiga, tendo sido fundada em 578.

A longevidade dela e de outras companhias pode ser explicada pela observação do professor americano William O´Hara, autor do livro Centuries of Success. Segundo ele, as empresas familiares antecederam as multinacionais e a revolução industrial. Ou seja, existem desde sempre.

Para a consultoria KPMG, o legado é um conceito-chave para entender a singularidade dos empreendimentos desse tipo. E ele pode ser um estímulo ou barreira. Em sua configuração positiva, o legado funciona como uma “cola” para unir o propósito central da empresa, valores da família e as realizações significativas em várias gerações.

Por outro lado, o desejo de preservá-lo pode ser um ativo ou um passivo, dependendo de como se traduz em práticas corporativas. Na avaliação da consultoria, com base em uma série de estudos, a enquanto a maioria das gerações futuras vê o legado como um “presente” a ser mantido, alguns enxergam a obrigação de levá-lo adiante como um fardo.

Detalhes que favorecem a longevidade

Ressalvando que cada empresa familiar tem sua própria história, Elismar destaca alguns pontos relevantes naquelas que têm se mantido ativas ao longo de décadas ou mesmo de séculos. A reciprocidade é um deles: para a professora, as decisões tomadas devem promover benefícios mútuos para todos do grupo familiar.

O desenvolvimento de lideranças é outro fator, pois vai permitir que cada ciclo geracional tenha um núcleo duro de consenso para agilidade nas decisões.

“É preciso desenvolver uma cultura na família que suporte conversas difíceis, sem medo de enfrentar assuntos complicados, geradores de conflitos e, claro, desenvolver habilidades para administrá-los”, explica.

De acordo com ela, uma transição geracional também demanda uma governança sólida, com definições claras de papéis, fóruns e matriz de decisões. Para Elismar, o “lugar” dos acionistas, da família e do conselho de administração devem ficar claros nessa jornada.

Sucessão é oportunidade de renovação em empresas familiares
O estímulo às novas gerações também passa pelo estabelecimento de mandatos que não sejam longos demais. Da mesma forma, a sucessão não deve ser tratada como um evento traumático, mas, sim, como uma oportunidade de renovação e de inovação.

Os fatores levantados por Elismar coincidem com a avaliação de Renato Bernhoeft, fundador e presidente do conselho de sócios da consultoria höft – bernhoeft & teixeira. Em entrevista ao jornal O Globo, o especialista destaca que 70% das empresas familiares fracassam por causa de conflitos entre parentes.

Ele também reforça a necessidade de acordos entre herdeiros, com regras claras para evitar os conflitos. O processo, aliás, pode ser ainda mais complexo no caso de empresas multifamiliares.

Adaptação às mudanças

A adaptação às mudanças também deve fazer parte da cartilha de longevidade. Para Elismar, existe uma percepção de que as empresas familiares são conservadoras, o que pode ser um entrave na entrada no novo mundo da tecnologia e inclusive destruir o futuro do empreendimento.

Segundo ela, é preciso combinar bem a adaptação ao novo, com uso de oportunidade e análise de contexto.

Para quem está começando sua empresa e pretende que ela seja longeva, a especialista da FDC lembra que é importante criar limites entre família e negócio, exercitar e escrever tais limites, diferenciando as duas coisas.

“É preciso desenvolver sua família na mesma velocidade do desenvolvimento da empresa, e pensar na transição futura, considerando princípios como respeito, amor pelo negócio, responsabilidade com o legado, interesse e orgulho de pertencer. É bom que todos saibam que a cada geração caberá uma dose de sacrifício”, finaliza.

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