Ser proativo no trabalho envolve cuidados
Estudo associa esforço da proatividade a cansaço do trabalhador e possível queda de rendimento nas atividades rotineiras, mas autoras apontam caminhos para evitar o estresse
Shutterstock
Ser proativo no trabalho pode ajudar a melhorar e a buscar resultados mais positivos nos processos, o que é algo valorizado pelos profissionais e pelas empresas. Até aí, tudo bem. O que não se sabia – e foi alvo de estudo acadêmico – é que a proatividade pode envolver um custo alto: a fadiga provocada pelo esforço proativo pode piorar a execução de tarefas de rotina, já bem dominadas pelos trabalhadores. Ser ou não ser proativo não é o objetivo do estudo, mas sim como lidar com a proatividade sem prejudicar a produtividade e o bem-estar do funcionário.
O site Harvard Business Review publicou artigo de três professoras ligadas a instituições diversas que fizeram o estudo sobre os efeitos da proatividade em trabalhadores franceses. A conclusão é que ela pode implicar custos cognitivos, os quais podem afetar o desempenho do funcionário em suas tarefas de rotina do dia-a-dia. Mas, para que ninguém abandone as vantagens e os méritos de ser proativo, as autoras apontam – em detalhes, no fim deste texto – caminhos e ajustes que tanto os trabalhadores quanto as empresas podem adotar para evitar a fadiga, como pausas, agendamento flexível e priorização de tarefas.
Queda no desempenho cognitivo
“No estudo, descobrimos que quanto mais esforço as pessoas gastam procurando maneiras de melhorar seu trabalho (em vez de apenas fazê-lo), pior é seu desempenho cognitivo no final do dia, em comparação com os dias em que não foram especialmente proativas”, dizem as autoras do artigo, que é assinado por Mouna El Mansouri, professora assistente de Comportamento Organizacional na EDHEC Business School em Lille, França; Karoline Strauss, professora de administração na ESSEC Business School em Paris; e Doris Fay, professora titular de Psicologia do Trabalho e Organizacional na Universidade de Potsdam, Alemanha.
Mas nem tudo é um resultado totalmente conclusivo e fechado neste e em estudos anteriores feitos pelo grupo. Segundo o artigo, as explicações para a associação entre proatividade e queda do rendimento baseiam-se em “hipóteses” relativamente simples de serem apontadas. Os indivíduos envolvidos na proatividade de tarefas, buscando maneiras mais eficientes para executá-las, terão que se desviar de suas rotinas já estabelecidas, sacrificando seus benefícios cognitivos para assumir demandas mentais adicionais. Ou seja, gastar tempo e esforço em novas maneiras de trabalhar pode conter o “custo cognitivo de ser proativo”. A proatividade pode criar maior fadiga mental, o que, segundo pesquisas anteriores, torna mais difícil atitudes como se concentrar, processar informações ou tomar decisões.
Pesquisas anteriores estabeleceram que tomar iniciativa no trabalho – além de ganhos óbvios de eficiência para as empresas – pode ajudar os trabalhadores a encontrar mais significado em seus empregos e aumentar seu engajamento e adaptabilidade. Mas as pesquisadoras perguntam se essa proatividade também esgota reservas cognitivas dos funcionários, ao apresentar um afastamento de suas rotinas diárias. As rotinas são importantes porque ajudam as pessoas a serem mais eficientes com seu tempo e a conservar a energia mental. Quando a mesma tarefa é concluída repetidamente, usando os mesmos métodos na mesma ordem, com o tempo, ela se tornará automática e exigirá menos esforço mental.
Como ser proativo e evitar a fadiga
A proatividade ainda é uma maneira importante para as pessoas se sentirem conectadas aos seus empregos, dizem as autoras, e para as empresas obterem conhecimento valioso e novas eficiências. Baseadas neste raciocínio, as três professoras oferecem as seguintes sugestões para ajudar tanto o funcionário a melhorar suas tarefas de trabalho, quanto as corporações, para protegerem suas equipes de fadiga mental ou más decisões.
1. Faça pausas
Pesquisas fora do novo estudo sugerem que pausas regulares podem ajudar a aliviar a fadiga mental, portanto, fazer pausas frequentes em dias proativos (ou incentivá-las na equipe) pode ajudar o funcionário a se sentir mentalmente revigorado. Dar a si mesmo espaço para respirar pode ajudar o colaborador a recuperar alguns recursos mentais.
2. Seja flexível
Se possível, tente tornar sua agenda flexível para acomodar o cansaço mental de melhorar suas tarefas. Considere priorizar tarefas de maior importância no início do dia ou mover algumas de suas tarefas tradicionais para dias diferentes, para que você possa se concentrar em melhorar os processos.
3. Crie um espaço seguro para experimentar
Os líderes devem criar uma cultura em que os erros sejam aceitos como parte do processo de aprendizagem. Salvaguardas claras devem estar em vigor para proteger os funcionários das consequências de erros honestos cometidos durante a experimentação. Reduzir essa pressão pode ajudar os colaboradores a se sentirem mais à vontade – uma preocupação a menos pode liberar algum poder mental para se concentrar em melhorias.

