Painel de abertura do VII Fórum Nacional do Comércio debate as novas fronteiras da política no Brasil
Especialistas analisam o novo contexto político e os impactos nas relações entre governo, empresas e sociedade
O VII Fórum Nacional do Comércio, promovido pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), iniciou nesta quarta-feira (22) a série de debates com o painel “As novas fronteiras da política no Brasil”, que reuniu especialistas para discutir como o ambiente político nacional vem se transformando diante de novos atores, tecnologias e demandas sociais.
O debate contou com a participação de João Hummel, consultor político; Rafael Favetti, advogado e cientista político; e Leonardo Barreto, cientista político, sob moderação de Karoline Lima, coordenadora de Relações Institucionais e Governamentais da CNDL.
O evento pode ser acompanhado, via YouTube, e conta com o apoio do Sebrae, Caixa, BRB, MEMP (Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte), Contabilizei e SETUR DF.
Transformações no cenário político e institucional
O painel marcou o tom dos debates do Fórum, trazendo uma análise sobre como o sistema político brasileiro passa por um processo de reconfiguração profunda. As mudanças vão além das reformas em discussão no Congresso: envolvem a forma como a política se comunica, se organiza e se relaciona com o setor produtivo e com a sociedade.
Com a polarização, a digitalização do debate público e o avanço de novas forças de representação, como movimentos setoriais, entidades de classe e organizações da sociedade civil, o ambiente político tornou-se mais dinâmico e fragmentado. João Hummel explica que hoje não é possível fazer “lobby” apenas no executivo, mas também é necessário olhar para o legislativo. “Em 2012, 80% do que foi aprovado no Congresso e virou lei foi de origem do Executivo. Já ano passado, 2024, 82% do que foi votado e virado lei veio de origem do legislativo”, aponta. Ele ainda ressaltou a importancia do relacionamento com o Congresso para conseguir avançar em pautas.
Esse contexto exige das lideranças empresariais uma compreensão mais estratégica sobre o funcionamento das instituições e a importância da atuação em rede para a defesa de pautas setoriais.
Relação entre política e negócios
Os painelistas ressaltaram que a política e a economia estão cada vez mais entrelaçadas. As decisões tomadas no Congresso e nos órgãos reguladores têm impacto direto sobre o ambiente de negócios, especialmente em temas como reforma tributária, regulação de inteligência artificial, crédito e formalização de micro e pequenas empresas, pautas que estão no centro das discussões do Fórum.
Leonardo Barreto destaca que a sociedade civil e as entidades ganharam uma responsabilidade maior nos dias atuais. “Elas passam a atuar como formuladoras de políticas públicas, pois o Governo, hoje, escolhe ‘a dedo a briga que quer entrar’. Assim, as entidades devem defender e argumentar bem as suas pautas”, disse.
O debate reforçou a importância de uma relação construtiva entre o poder público e o setor empresarial, baseada em diálogo, transparência e previsibilidade. Entidades representativas, como a própria CNDL, assumem um papel essencial nesse processo, atuando como ponte entre os empreendedores e o Estado.
O novo ciclo político
Outro ponto enfatizado foi a necessidade de o setor produtivo se posicionar de forma mais ativa no debate político. A nova fronteira da política no Brasil passa pela capacidade de o empresariado compreender o funcionamento das instituições, antecipar mudanças regulatórias e participar da formulação de políticas públicas.
Rafael Favetti lembra o Congresso geralmente regula a vida do logista que está no municípo. “Essa distância dita a importância de entidades, como a CNDL, para alertar a população, os municípios e os demais personagens”, disse.
Nesse contexto, o fortalecimento de frentes parlamentares e de espaços de diálogo institucional, como o próprio Fórum Nacional do Comércio, é visto como um passo fundamental para consolidar uma agenda voltada ao crescimento sustentável, à simplificação tributária e à modernização das relações de trabalho e consumo.
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