Empréstimos pessoais dobram no crédito de terceiros: sinal de alerta?
Participação da modalidade saltou de 4% para 8% entre consumidores que recorreram ao nome de terceiros para acessar crédito
Envato
O uso de empréstimos pessoais dentro do chamado “crédito de terceiros” ganhou força no Brasil e pode sinalizar um avanço do endividamento informal entre consumidores com dificuldade de acesso ao sistema financeiro tradicional. Pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, em parceria com a Offerwise Pesquisas, mostra que os empréstimos pessoais dobraram de participação entre as modalidades utilizadas por quem recorre ao nome de terceiros, saltando de 4% em 2025 para 8% em 2026.
Embora o cartão de crédito siga como principal recurso emprestado, liderando com 21%, o avanço dos empréstimos chama atenção por indicar uma mudança relevante no perfil desse tipo de operação.
Movimento sugere uso mais profundo e estruturado do crédito de terceiros
Diferentemente do cartão de crédito, normalmente associado a compras pontuais e parcelamentos de menor valor, o empréstimo pessoal tende a estar ligado a necessidades financeiras mais robustas, de prazo mais longo e maior comprometimento de renda.
Por isso, o crescimento dessa modalidade pode indicar que o crédito de terceiros está deixando de ser apenas uma solução ocasional para pequenas compras e passando a ocupar um papel mais estrutural na organização financeira de parte das famílias.
Na prática, o dado sugere que consumidores não estão apenas “passando uma compra no cartão de alguém”, mas utilizando o nome de terceiros para acessar operações financeiras mais complexas e de maior risco.
Tendência amplia exposição financeira de quem empresta o nome
O avanço dos empréstimos pessoais também aumenta o risco para quem aceita emprestar o nome.
Isso porque, ao contrário de uma compra parcelada no cartão, geralmente limitada a valores menores e com maior previsibilidade, empréstimos pessoais costumam envolver contratos mais longos, parcelas fixas e montantes mais elevados, o que amplia o impacto potencial de uma inadimplência.
Nesse cenário, o ato de emprestar o nome deixa de ser apenas um favor pontual e passa a representar uma exposição financeira mais relevante para familiares e terceiros.
Para o mercado, o crescimento dessa prática evidencia que parte dos consumidores está buscando caminhos alternativos não apenas para consumir, mas para acessar liquidez e reorganizar a própria vida financeira.
Mais do que um dado comportamental, o avanço dos empréstimos pessoais dentro do crédito de terceiros reforça um alerta sobre a crescente dependência de mecanismos informais de financiamento em um ambiente de restrição ao crédito formal.

