29 ago, 2026
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OmniVarejo 2026 mostra que o futuro do varejo passa por tecnologia, confiança e capacidade de execução

Evento realizado em João Pessoa reuniu empresários, executivos e lideranças em debates sobre experiência, tecnologia, autenticidade e preparação dos negócios para o futuro

OmniVarejo 2026 encerra programação com reflexões sobre os próximos caminhos do varejo

O OmniVarejo 2026 encerrou neste sábado (29), em João Pessoa, sua programação de conteúdo após três dias de encontros entre empresários, dirigentes lojistas, executivos e especialistas de diferentes regiões do país. A 58ª Convenção Nacional do Comércio Lojista reuniu mais de 2 mil participantes na capital paraibana para discutir transformações que já começam a alterar a maneira de vender, atender, gerir empresas e se relacionar com consumidores.

Realizado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), em parceria com a Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas da Paraíba (FCDL-PB) e a CDL João Pessoa, o encontro adotou o conceito “Onde o futuro do varejo nasce primeiro” e dividiu sua agenda em quatro atos: Experiência que encanta, Tecnologia que conecta, Autenticidade que conquista e Futuro que inspira.

A realização do OmniVarejo 2026 conta com o apoio do Governo da Paraíba e patrocínios do Sebrae Nacional,  Cielo, Banco do Nordeste, Caixa Econômica Federal, Fecomércio PB e CDL IA. O Varejo S.A. é media partner oficial do evento, que reúne lideranças, especialistas e representantes de diferentes segmentos para debater os principais desafios, tendências e transformações do varejo brasileiro.

Mais do que apresentar tendências isoladas, as discussões convergiram para uma percepção comum: o varejo está diante de um consumidor mais conectado, menos paciente e exposto a um número crescente de opções. Nesse ambiente, tecnologia, experiência e eficiência operacional deixam de caminhar separadamente.

Da experiência à recomendação

A programação começou colocando em discussão uma mudança que deve ganhar força nos próximos anos: a entrada da inteligência artificial não apenas como ferramenta das empresas, mas também como participante da própria jornada de compra.

Caio Camargo apresentou sua leitura sobre a evolução do varejo, da eficiência à experiência, depois à conveniência extrema e, agora, ao que definiu como “varejo da recomendação”. Nesse novo estágio, consumidores começam a delegar pesquisas, comparações e decisões a agentes de inteligência artificial, abrindo espaço para o chamado Agentic Commerce.

A discussão sobre experiência continuou no painel com O Boticário, Bauducco e id/TBWA. Atendimento, consistência entre canais, presença cotidiana das marcas e construção de vínculos apareceram como fatores capazes de transformar uma primeira compra em recorrência.

O debate mostrou que uma experiência positiva não depende necessariamente de grandes ações. Muitas vezes, ela é formada por uma sequência de pequenas entregas, com facilidade para encontrar um produto, atendimento coerente, redução de fricções e capacidade de permanecer relevante até o momento da próxima compra.

O consumidor não enxerga mais canais

No ato “Tecnologia que conecta”, outro conceito atravessou as apresentações: para o consumidor, físico e digital já não representam necessariamente jornadas distintas.

Marília Prado, da Cielo, mostrou como uma compra pode começar em uma pesquisa no celular, passar por Instagram e WhatsApp e terminar em um site ou loja física. Ao mesmo tempo, pagamentos se tornam progressivamente menos perceptíveis, integrados a aplicativos e plataformas que reduzem etapas até a conclusão da transação.

Os dados apresentados pela executiva também apontaram a consolidação do comércio eletrônico como hábito. Entre consumidores que fizeram sua primeira compra online neste ano dentro da base analisada pela companhia, 42% já voltaram ao canal mais de duas vezes.

A integração entre ambientes voltou ao centro do painel com Amazon Web Services, VTEX e Softcom. Os executivos defenderam que tecnologia precisa partir de problemas concretos e ser incorporada como projeto de negócio, não apenas de TI.

Na omnicanalidade, isso significa conectar estoques, cadastros e sistemas. Na inteligência artificial, começa por compreender qual problema deve ser resolvido antes de escolher a ferramenta. E, na gestão, passa pela disposição de transformar erros em aprendizado e revisão de processos.

IA amplia capacidades, mas não elimina o papel das pessoas

Walter Longo encerrou o bloco dedicado à tecnologia defendendo uma relação de complementaridade entre inteligência humana e artificial. Em vez de colocar pessoas e máquinas em lados opostos, o especialista tratou a IA como uma ferramenta capaz de ampliar capacidades, desde que profissionais e empresas assumam uma postura ativa diante da transformação.

A mensagem dialogou com outras apresentações do encontro, com a velocidade das ferramentas aumenta, mas a qualidade de sua utilização ainda depende de estratégia, repertório, cultura e capacidade de decisão.

Quanto mais digital, maior o valor do humano

No terceiro ato, “Autenticidade que conquista”, a programação deslocou a atenção para confiança, identidade e relações humanas.

Fabiano Zortéa destacou um paradoxo do comportamento contemporâneo: uma sociedade cada vez mais conectada digitalmente também apresenta sinais de desconexão física. Para o especialista, esse cenário ajuda a devolver importância à loja como espaço de convivência, orientação e construção de vínculos.

A proposta não é escolher entre digital e físico, mas organizar jornadas híbridas. Uma conversa iniciada no Instagram pode seguir pelo WhatsApp e terminar com atendimento presencial. O diferencial está em conseguir conectar esses momentos.

O painel com Ferreira Costa, Redepharma e Armazém Paraíba mostrou como essa autenticidade pode aparecer na prática.

Na Ferreira Costa, ganha forma na capacitação de vendedores para resolver integralmente as necessidades dos clientes. Na Redepharma, combina conhecimento regional, inovação e alianças comerciais. Já no Armazém Paraíba, aparece na construção de uma cultura em que inovação deixa de ficar restrita ao departamento de tecnologia e passa a envolver diferentes áreas.

Cultura também pode ser modelo de negócios

Lizete Ribeiro levou ao palco a experiência do Grupo Tauá com a palestra “Sorriso como modelo de negócios”. A executiva mostrou como hospitalidade e encantamento podem deixar de ser conceitos abstratos quando são transformados em processos, treinamento, indicadores e mecanismos de reconhecimento.

No modelo apresentado pela companhia, a experiência entregue ao consumidor começa pela forma como as próprias equipes são tratadas e desenvolvidas.

O aprendizado extrapola a hotelaria: empresas podem investir em estruturas, produtos e tecnologias, mas a percepção do cliente continuará sendo influenciada pelas pessoas responsáveis por transformar essas ferramentas em experiência.

Um varejo em permanente reconfiguração

No último ato, “Futuro que inspira”, Fabio Neto, da StartSe, apresentou uma leitura mais ampla das mudanças que cercam o setor.

Para o executivo, empresas entraram em uma “Era da Reconfiguração”, marcada por transformações simultâneas em tecnologia, consumo, comportamento e trabalho.

Um dos principais alertas foi para a transversalidade da concorrência. Mudanças aparentemente distantes do varejo podem modificar categorias inteiras. Medicamentos voltados à perda de peso, apostas online e a popularização da cultura sul-coreana foram exemplos utilizados para mostrar como saúde, entretenimento e comportamento podem alterar consumo, sortimento e fluxo de dinheiro.

Nesse ambiente, acompanhar apenas os concorrentes tradicionais deixa de ser suficiente.

Crédito, dados e gestão continuam fundamentais

O painel formado por Roque Pellizzaro Júnior, presidente do SPC Brasil; Gustavo Carvalho, da Visa; e Ericka Albuquerque, do Sebrae da Paraíba, aproximou o debate do dia a dia das empresas.

Na inteligência artificial, a orientação foi começar por uma dor específica, envolver pessoas, estruturar dados e testar soluções antes de escalar. No crédito, o debate mostrou a importância de utilizar informações mais qualificadas para separar bons e maus riscos, evitando tanto a inadimplência quanto a perda desnecessária de clientes.

Para os pequenos negócios, o caminho pode ser ainda mais básico. Antes de adotar tecnologias sofisticadas, organização financeira, conhecimento dos próprios números e capacidade de antecipar situações já podem gerar ganhos relevantes de eficiência.

Liderança para transformar estratégia em ação

A última palestra da programação ficou a cargo de Dafna Blaschkauer, que relacionou o futuro das empresas à capacidade de suas lideranças. Com experiências profissionais em Microsoft, Apple e Nike, a executiva apresentou três funções que considera centrais para quem lidera: inspirar, impulsionar e impactar.

Sua apresentação trouxe uma dimensão humana para fechar dois dias marcados por inteligência artificial, novos canais e transformação tecnológica. Mesmo diante de ferramentas cada vez mais poderosas, organizações continuam dependendo de pessoas capazes de dar direção, desenvolver equipes e transformar visão em execução.

Mais adaptação do que previsão

Ao longo dos quatro atos, o OmniVarejo 2026 mostrou um setor que não enfrenta uma única ruptura, mas diversas mudanças ocorrendo simultaneamente.

A inteligência artificial começa a participar das decisões de compra. Canais físicos e digitais se misturam. Pagamentos desaparecem da percepção do consumidor. Novos concorrentes surgem fora dos segmentos tradicionais. Ao mesmo tempo, confiança, atendimento, cultura e capacidade de criar vínculos voltam a ganhar peso.

Diante desse cenário, uma das principais conclusões deixadas pela programação é que estar preparado para o futuro talvez tenha menos relação com conseguir prevê-lo e mais com construir empresas capazes de se adaptar continuamente.

Conhecer o consumidor, organizar dados e processos, capacitar pessoas, testar novas soluções e preservar aquilo que diferencia cada negócio aparecem, assim, como partes de uma mesma estratégia.

Celebração encerra o evento

A programação será concluida com uma confraternização entre os participantes e um show de Elba Ramalho. A artista levará ao palco sucessos de sua trajetória para encerrar a edição realizada na capital paraibana.

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