Fabio Neto aponta movimentos que devem redesenhar o varejo no OmniVarejo 2026
Sócio e executivo da StartSe abre o ato “Futuro que inspira” com uma análise sobre tecnologia, comportamento e novos modelos de negócio
O varejo não está diante de uma única transformação. Mudanças tecnológicas, novos hábitos de consumo, transformações no trabalho e acontecimentos aparentemente distantes do setor passaram a se combinar e produzir efeitos cada vez mais rápidos sobre as empresas. Foi a partir desse cenário que Fabio Neto, da StartSe, abriu neste sábado (29) o ato “Futuro que inspira” do OmniVarejo 2026, em João Pessoa.
Durante a palestra, o executivo definiu o momento atual como uma “Era da Reconfiguração”, na qual modelos de negócio, relações de consumo e padrões de eficiência precisam ser revistos com mais frequência. Para ele, métodos que funcionaram em um mercado de mudanças graduais já não respondem com a mesma eficiência a um ambiente que se transforma continuamente. “O jeito que a gente aprendeu a fazer negócio até hoje não funciona mais nesse novo mundo que está cada vez mais desencaixado”, afirmou.
A realização do OmniVarejo 2026 conta com o apoio do Governo da Paraíba e patrocínios do Sebrae Nacional, Cielo, Banco do Nordeste, Caixa Econômica Federal, Fecomércio PB e CDL IA. O Varejo S.A. é media partner oficial do evento, que reúne lideranças, especialistas e representantes de diferentes segmentos para debater os principais desafios, tendências e transformações do varejo brasileiro.
O consumidor também acelera o mercado
Ao falar sobre a sensação de que tudo está mais rápido, Fabio chamou a atenção para o próprio comportamento das pessoas. Entregas que antes demoravam dias agora são esperadas para o dia seguinte, corridas por aplicativo são canceladas diante de poucos minutos de espera; conteúdos longos dão lugar a cortes e resumos.
Na avaliação do executivo, empresas e consumidores participam conjuntamente dessa aceleração.
Ao mesmo tempo, o cliente ficou mais difícil de conquistar e de reter. Segundo Fabio, as companhias lidam hoje com um consumidor mais caro de atrair, menos fiel e exposto a referências provenientes de diversos mercados. “Esse varejo mudava de dez em dez anos, de vinte em vinte anos. Agora ele muda a cada segundo, a cada minuto. Enquanto a gente está nessa sala aqui, alguém está reinventando o varejo em algum lugar”, disse.
O paradoxo, segundo ele, é que as organizações nunca tiveram tantos dados, profissionais qualificados e ferramentas disponíveis, mas ainda encontram dificuldades para decidir quais caminhos seguir.
O concorrente pode vir de outro setor
A primeira das reconfigurações apresentadas por Fabio foi a transversalidade. Na prática, empresas deixam de ser impactadas apenas pelos concorrentes que vendem produtos semelhantes.
Mudanças em saúde, entretenimento, tecnologia, turismo e comportamento podem alterar diretamente a demanda de categorias tradicionais do varejo.
Um dos exemplos utilizados foi o avanço de medicamentos voltados à perda de peso. Segundo dados apresentados pelo palestrante, mudanças na alimentação provocadas por esses produtos já começam a influenciar segmentos como alimentos, restaurantes, moda, estética e hotelaria.
Outro caso citado foi o crescimento das apostas online, que passaram a disputar parcela da renda disponível das famílias com outras formas de consumo. Fabio mencionou uma projeção de aproximadamente R$ 149 bilhões movimentados pelo setor neste ano, número apresentado durante a palestra.
Os exemplos reforçam a tese de que o varejista precisa observar acontecimentos que aparentemente estão fora de sua categoria. “O mundo é transversal”, resumiu.
Da Coreia para a prateleira brasileira
Fabio também utilizou a expansão da cultura sul-coreana para exemplificar como movimentos globais podem chegar rapidamente à operação de um pequeno varejista brasileiro.
O crescimento internacional de séries e conteúdos coreanos ampliou o interesse por música, turismo, moda e cosméticos produzidos no país. Segundo o executivo, dezenas de marcas sul-coreanas de beleza já chegaram ao Brasil, criando uma nova camada de concorrência para empresas estabelecidas no segmento.
Na análise apresentada, esse movimento ajuda a mostrar por que acompanhar apenas eventos, empresas e tendências do próprio setor pode limitar a capacidade de antecipação.
Uma transformação iniciada na indústria do entretenimento pode modificar preferências de consumo e, algum tempo depois, alterar o sortimento procurado dentro de uma loja.
Novas tecnologias criam novas expectativas
Outro elemento da reconfiguração é a velocidade com que novos modelos alteram a expectativa dos consumidores. Plataformas como Temu, Shein e TikTok Shop, modelos asiáticos de comércio e a expansão da inteligência artificial foram citados como exemplos de movimentos que mudam simultaneamente descoberta, preço, conveniência e relacionamento.
Quando uma tecnologia reduz etapas ou torna determinado processo mais eficiente, aquilo que até então era considerado uma boa experiência pode rapidamente começar a parecer lento ou burocrático.
Para Fabio, é nesse ponto que empresas precisam abandonar a lógica de esperar grandes rupturas para começar a mudar. “Não estamos atravessando uma única transformação, mas várias ao mesmo tempo”, destacou.
Mudar antes de ser obrigado a mudar
A provocação final da palestra esteve menos relacionada a prever qual tecnologia vencerá e mais à capacidade das organizações de se reorganizarem.
Produtos, canais, estruturas e certezas precisam ser questionados continuamente antes que uma crise, um novo concorrente ou uma mudança de comportamento obrigue a empresa a fazer isso.
Essa capacidade também exige olhar para sinais menos evidentes. Enquanto tendências já consolidadas são observadas simultaneamente por praticamente todos os concorrentes, movimentos surgidos fora do radar tradicional podem revelar oportunidades ou riscos com maior antecedência.
A palestra abriu o ato “Futuro que inspira”, último eixo de conteúdo do OmniVarejo 2026. A programação seguiu com o painel “O seu negócio está preparado para o futuro do varejo?”, com Roque Pellizzaro, do SPC Brasil, Gustavo Carvalho, da Visa, e Ericka Albuquerque, do Sebrae Nacional.
CRONOGRAMA
27/8 – Quinta-feira
- 18h-19h – RECEPÇÃO
- 19h-21h – CERIMÔNIA DE ABERTURA
- 21h-23h – COQUETEL
28/8 – Sexta-feira
- 8h-8h30 – RECEPÇÃO/BOAS VINDAS
- 8h30-9h15 – PALESTRA Tecnologia não encanta, experiência sim
- Caio Camargo
- 9h15-10h15 – PAINEL Como transformar experiência em hábito de consumo?
- Rafael Marconi (O Boticário)
- Elio França (Bauducco)
- Sthefan Ko (id/TBWA)
- 10h15-10h45 – PALESTRA
- 10h45-11h30 – COFFEE BREAK
- 11h30-12h15 – PALESTRA Do varejo físico aps agentes de compra
- Marília Prado (Cielo)
- 12h15-13h – PAINEL Como fazer a tecnologia entregar resultado no varejo?
- Paulo Dargam (Amazon)
- Massimo Enea (VTEX)
- Renato Rodrigues (Softcom)
- 13h-14h – PALESTRA Inteligência artificial – surfando no tsunami
- Walter Longo
29/9 – Sábado
- 8h-8h30 – RECEPÇÃO/BOAS VINDAS
- 8h30-9h15 – PALESTRA Venda é vínculo
- Fabiano Zortea
- 9h15-10h15 – PAINEL Como usar a autenticidade para gerar vantagem competitiva?
- Neilton Neves (Redepharma)
- Felipe Andson (Armazém Paraíba)
- Guilherme Ferreira Costa (FerreiraCosta)
- 10h15-10h45 – PALESTRA Sorriso como modelo de negócios
- Lizete Ribeiro (Rede Tauá)
- 10h45-11h30 – COFFEE BREAK
- 11h30-12h15 – PALESTRA A era da reconfiguração
- Fabio Neto (StartSe)
- 12h15-13h – PAINEL O seu negócio está preparado para o futuro do varejo?
- Roque Pellizzaro (SPC Brasil)
- Gustavo Carvalho (Visa)
- Ericka Albuquerque (Sebrae)
- 13h-14h – PALESTRA Liderando com inovação
- Dafna Blaschkauer
- 20h-3h – Encerramento
- Show de encerramento com Elba Ramalho

