IA, crédito e gestão no centro do futuro do varejo são temas no OmniVarejo 2026
Roque Pellizzaro, do SPC Brasil, e Gustavo Carvalho, da Visa, discutem como inteligência, segurança e novas tecnologias devem afetar os negócios
Estar preparado para o futuro do varejo não significa adotar todas as tecnologias disponíveis ou tentar antecipar cada movimento do mercado. Para empresas de diferentes portes, o desafio está em identificar problemas concretos, organizar dados, melhorar a gestão e usar as ferramentas certas para tomar decisões mais assertivas.
Essa foi a discussão central do painel “O seu negócio está preparado para o futuro do varejo?”, realizado neste sábado (29), durante o OmniVarejo 2026, em João Pessoa. Mediado por Merula Borges, coordenadora financeira da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), o debate reuniu Roque Pellizzaro Júnior, presidente do SPC Brasil; Gustavo Carvalho, vice-presidente de Value Added Services da Visa no Brasil; e Ericka Albuquerque, gerente comercial do Sebrae da Paraíba.
A realização do OmniVarejo 2026 conta com o apoio do Governo da Paraíba e patrocínios do Sebrae Nacional, Cielo, Banco do Nordeste, Caixa Econômica Federal, Fecomércio PB e CDL IA. O Varejo S.A. é media partner oficial do evento, que reúne lideranças, especialistas e representantes de diferentes segmentos para debater os principais desafios, tendências e transformações do varejo brasileiro.
Começar pela dor, não pela inteligência artificial
Ao tratar da adoção de inteligência artificial, Gustavo Carvalho defendeu uma abordagem prática. Antes de escolher uma plataforma ou testar uma ferramenta porque ela está em evidência, a empresa precisa identificar qual problema pretende resolver.
“Primeiro, você precisa definir qual é a dor que vai atacar. Não adianta começar querendo usar essas ferramentas que estão por aí para tudo”, afirmou.
O segundo passo é envolver desde o início quem efetivamente utilizará a solução. Segundo Carvalho, projetos de IA não devem ficar restritos à área de tecnologia. Vendedores, equipes operacionais e demais profissionais impactados precisam compreender como a ferramenta pode ajudá-los a trabalhar melhor.
A recomendação seguinte é começar em pequena escala. Uma rede com diversas unidades, por exemplo, pode testar uma aplicação em uma loja, acompanhar os resultados e ajustar o processo antes de expandir.
Para o comércio digital, a preparação inclui ainda garantir que produtos e serviços sejam encontrados em jornadas mediadas por inteligência artificial. À medida que consumidores utilizam agentes digitais para descobrir, comparar e selecionar opções, empresas também precisam tornar suas informações acessíveis a esses sistemas.
E isso passa diretamente pela qualidade dos dados. “Estrutura seus dados para a IA conseguir consumir esses dados. Porque, senão, a IA simplesmente vai automatizar uma bagunça”, alertou Carvalho.
Crédito continua decisivo para vender
Roque Pellizzaro Júnior trouxe ao debate outra dimensão da competitividade, a capacidade de conceder crédito com precisão.
Mesmo diante do avanço da inteligência artificial e das novas tecnologias, o presidente do SPC Brasil destacou que o crédito continua sendo um dos principais fatores capazes de estimular ou limitar as vendas.
O desafio aumenta em um ambiente de juros elevados e pressão sobre o orçamento das famílias. Para Pellizzaro, simplesmente restringir a concessão pode evitar parte da inadimplência, mas também afastar bons consumidores e reduzir vendas que poderiam ser realizadas com uma análise mais adequada.
Nesse cenário, ferramentas baseadas em dados permitem avançar para modelos mais preditivos, considerando diferentes variáveis antes de decidir quanto crédito oferecer e para qual perfil de consumidor.
O executivo ressaltou ainda que uma mesma política não necessariamente funciona para todos os negócios. Uma papelaria com tíquete médio de R$ 130, por exemplo, enfrenta riscos diferentes de uma loja de móveis com compras médias de R$ 5 mil.
A questão, portanto, é conhecer melhor o próprio cliente e estruturar critérios compatíveis com a realidade da operação. “Eu tenho que dizer não para quem tem que dizer não, e dizer sim para quem tem que dizer sim”, resumiu.
Na avaliação de Pellizzaro, uma negativa inadequada também pode prejudicar a experiência. Depois de percorrer toda a jornada e decidir comprar, um bom cliente que recebe uma recusa pode procurar o concorrente e dificilmente voltar.
Eficiência começa no básico
Ericka Albuquerque aproximou o debate da realidade das micro e pequenas empresas, nas quais o próprio empreendedor frequentemente acumula funções de compra, venda, gestão financeira e operação.
Nesse contexto, falar em inteligência artificial e transformação tecnológica exige considerar limitações de tempo, recursos e estrutura.
Para a gerente comercial do Sebrae da Paraíba, a vantagem não estará necessariamente em adotar as soluções mais sofisticadas, mas em identificar quais ferramentas realmente ajudam cada negócio a ganhar eficiência. “Tem muita micro e pequena empresa que não está fazendo o básico, que é cuidar da gestão do seu negócio”, destacou.
Ericka utilizou um exemplo simples para demonstrar como dados e previsibilidade podem influenciar resultados sem grandes investimentos. Um restaurante que sabe que o movimento cai em dias de chuva pode acompanhar a previsão do tempo e antecipar ações de delivery, comunicação ou divulgação para compensar a redução do público presencial.
A lógica pode ser aplicada a diferentes informações já disponíveis para o empresário: fluxo de clientes, estoque, vendas por horário, sazonalidade ou comportamento de compra.
Mais do que acumular dados, o desafio é transformá-los em decisão.
Tecnologia precisa encontrar uma empresa preparada
Os três participantes abordaram frentes diferentes, mas chegaram a um ponto comum: nenhuma ferramenta compensa indefinidamente uma operação desorganizada.
A inteligência artificial precisa partir de um problema real e de dados estruturados. O crédito exige critérios compatíveis com o perfil do consumidor e do negócio. E, principalmente entre os pequenos, avanços tecnológicos precisam caminhar junto com fundamentos básicos de gestão.
Preparar-se para o futuro, portanto, não significa necessariamente realizar uma grande transformação de uma só vez. Pode começar pela escolha de uma dor específica, por um teste controlado, pela revisão da política de crédito ou por uma decisão simples tomada a partir de informações que a empresa já possui.
CRONOGRAMA
27/8 – Quinta-feira
- 18h-19h – RECEPÇÃO
- 19h-21h – CERIMÔNIA DE ABERTURA
- 21h-23h – COQUETEL
28/8 – Sexta-feira
- 8h-8h30 – RECEPÇÃO/BOAS VINDAS
- 8h30-9h15 – PALESTRA Tecnologia não encanta, experiência sim
- Caio Camargo
- 9h15-10h15 – PAINEL Como transformar experiência em hábito de consumo?
- Rafael Marconi (O Boticário)
- Elio França (Bauducco)
- Sthefan Ko (id/TBWA)
- 10h15-10h45 – PALESTRA
- 10h45-11h30 – COFFEE BREAK
- 11h30-12h15 – PALESTRA Do varejo físico aps agentes de compra
- Marília Prado (Cielo)
- 12h15-13h – PAINEL Como fazer a tecnologia entregar resultado no varejo?
- Paulo Dargam (Amazon)
- Massimo Enea (VTEX)
- Renato Rodrigues (Softcom)
- 13h-14h – PALESTRA Inteligência artificial – surfando no tsunami
- Walter Longo
29/9 – Sábado
- 8h-8h30 – RECEPÇÃO/BOAS VINDAS
- 8h30-9h15 – PALESTRA Venda é vínculo
- Fabiano Zortea
- 9h15-10h15 – PAINEL Como usar a autenticidade para gerar vantagem competitiva?
- Neilton Neves (Redepharma)
- Felipe Andson (Armazém Paraíba)
- Guilherme Ferreira Costa (FerreiraCosta)
- 10h15-10h45 – PALESTRA Sorriso como modelo de negócios
- Lizete Ribeiro (Rede Tauá)
- 10h45-11h30 – COFFEE BREAK
- 11h30-12h15 – PALESTRA A era da reconfiguração
- Fabio Neto (StartSe)
- 12h15-13h – PAINEL O seu negócio está preparado para o futuro do varejo?
- Roque Pellizzaro (SPC Brasil)
- Gustavo Carvalho (Visa)
- Ericka Albuquerque (Sebrae)
- 13h-14h – PALESTRA Liderando com inovação
- Dafna Blaschkauer
- 20h-3h – Encerramento
- Show de encerramento com Elba Ramalho

