Tendências e Inovação

Entenda como o 5G mudará a economia brasileira

Em maio deste ano, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) destacou que os recursos levantados com o leilão do 5G, encerrado em novembro de 2021, poderão garantir internet para 15 mil escolas públicas. Ao todo, foram gerados R$ 3,1 bilhões para essa finalidade. Além de facilitar o acesso à educação, a economia brasileira também poderá ser impactada de forma positiva devido ao novo ecossistema de inovação tecnológica.

De acordo com o estudo apresentado pela Secretaria Especial de Produtividade e Competitividade do Ministério da Economia (Sepec/ME), a utilização de soluções 5G pode proporcionar um benefício de R$ 590 bilhões por ano. No que diz respeito ao potencial de software, a expectativa de valor total acumulado até 2031 é de R$ 101 bilhões, distribuídos entre R$ 10 bilhões para software de rede.

Marcio Kanamaru, sócio-líder de Tecnologia, Mídia e Telecomunicações da KPMG no Brasil e na América do Sul, indica um cenário promissor. “A nova geração de rede promete disponibilizar no Brasil, a partir do segundo semestre de 2022, uma conexão com muito mais velocidade, estabilidade, eficiência e baixíssima latência. A mudança é definida por especialistas como um ‘salto quântico’, capaz de abrir novos caminhos e ampliar negócios em diversos segmentos da economia”, explica.

Conhecida como uma prestadora de serviços voltada às soluções para os clientes, que incluem auditoria, consultoria e consultoria tributária, a KPMG integra o grupo das quatro maiores empresas globais do setor. Para a corporação, inúmeros empreendimentos têm muito a lucrar com a internet 5G, desde o agronegócio até a indústria, incluindo também os segmentos de varejo e entretenimento. Além disso, a nova geração de banda larga móvel poderá ser uma alavanca para o mercado de economia digital, focando especialmente nos setores de software e startups.

As melhorias que o 5G tende a trazer para o país poderão elevar o Produto Interno Bruto (PIB) em US$ 1,2 trilhão até 2035. A estimativa foi feita pela Nokia e pela consultoria Omdia. A tecnologia deve resultar no aumento da produtividade, surgimento de novos negócios e na queda nos custos de produção. Quando estiver em funcionamento, a rede incluirá o Brasil aos 60 demais países que já possuem a tecnologia de quinta geração.

“Nesses locais, sobretudo nas economias de maior escala e desenvolvimento, como a dos Estados Unidos, Coreia do Sul e países da Europa Ocidental, o 5G já entrega inovações e suscita previsões otimistas quanto às futuras aplicações da tecnologia. Tecnicamente, o 5G oferece tempo de resposta menor entre comandos e respostas, conexões estáveis e velocidade”, diz Marcio Kanamaru.

O sócio da KPMG ainda indica que, com a rede, é possível que diversos dispositivos estejam conectados ao mesmo tempo, sem sobrecarga do sistema. A consequência direta dessa nova infraestrutura é a possibilidade de se concretizarem diversas novas tecnologias e configurações, como a Internet das Coisas (IoT), realidade virtual aumentada e o Metaverso.

Na prática, nas ruas das cidades que se tornarão inteligentes, pedestres, veículos e semáforos poderão estar conectados em um sistema híbrido dinâmico, alimentado por dados coletados em tempo real. Para os empreendimentos residenciais, a rede também poderá agregar para os aparelhos conectados com a comunicação, troca de dados e acesso remoto.

“No país do agronegócio, que representa pelo menos 25% do PIB brasileiro, especialistas apontam na direção do ‘agro 4.0’, com mais máquinas, automatização e uso inteligente de dados. Com o 5G, a internet deve chegar ao campo com mais cobertura e qualidade, permitindo tanto a utilização de aparatos conectados à internet dentro da lavoura, como colheitadeiras e drones, até a etapa da venda e escoamento da produção na fase logística. A conexão das estradas completa o pacote”, informa. Segundo o Ministério das Comunicações, o agronegócio brasileiro pode crescer em torno 10% nos primeiros anos de aplicação do 5G.

Após o lançamento
No mês de maio, o Gaispi, grupo que coordena a implantação da internet 5G no país, propôs o adiamento do prazo de início do 5G nas capitais do país em dois meses. A previsão inicial era de que a rede estivesse disponível até 31 de julho. Com a proposta, o prazo passará para até 29 de setembro. Segundo nota divulgada pela Anatel, a solicitação de adiamento ocorreu diante da falta de equipamentos para fazer a “limpeza da faixa” de 3,5GHz, que será usada pelo 5G.

Para a sua implementação, o desafio do Brasil será grande devido à sua extensão territorial e às fibras óticas, que são as infraestruturas básicas do 5G. “Também a Lei das Antenas municipais e sua atualização impactarão a instalação, impondo mais desafios à implantação das redes e desafiando cronogramas”, diz Kanamaru.

Após essas resoluções, as empresas terão que percorrer uma longa jornada de implementação das redes. Segundo Kanamaru, isso pode demandar até dez vezes a mais de antenas do que a geração anterior. Uma vez resolvido, será necessário investir em inúmeros testes para que a ativação ocorra de forma correta.

“Acontecerão muitas transformações relevantes onde veremos experimentações em diversos segmentos da nossa economia, comprovando que a mudança nos brindará com novas experiências como clientes e oportunidades de negócios para muitos setores”, indica.

Dúvidas frequentes
A conexão 5G disponível em algumas cidades brasileiras não é considerada “pura”. Kanamaru explica que, na verdade, se trata do Compartilhamento Dinâmico de Espectro (DSS, na sigla em inglês), que funciona como transição entre a quarta e quinta geração da rede. Na prática, essa rede usa as mesmas frequências do 4G com uma velocidade maior, mas não chega a entregar o potencial máximo do 5G, que só será atingido com a instalação de uma nova infraestrutura.

No geral, o assunto ainda costuma levantar muitas dúvidas e preocupações para a população, visto que é uma tecnologia nova e com grandes potenciais. Entretanto, no mundo corporativo, a realidade é outra. “Segundo nosso estudo recente sobre a adoção do 5G no Brasil, notamos que o cenário é um pouco diferente. A maioria (52%) das empresas consultadas pelo levantamento da KPMG afirmam possuir um nível intermediário de conhecimento sobre a tecnologia, ou seja, sabem as vantagens tecnológicas que a rede possibilita, contudo, ainda têm questionamentos sobre como implementar e usar a tecnologia”, informa.

Outros 29%, que podem ser considerados uma parcela bastante significativa, se posicionaram como “nível baixo de conhecimento”, o que implica em um desconhecimento por completo de como a rede 5G pode aprimorar os negócios da empresa. Na outra ponta, 28% avaliam seu nível de conhecimento como “consistente”: já conhecem os benefícios que a rede 5G possibilitará para os negócios da organização, bem como as áreas em que melhor se aplicarão.

“A certeza é que a nova tecnologia irá impactar diversos setores, desde os mais diretamente relacionados à TI, até áreas não exatamente correlatas, como gestão de frotas e monitoramento de câmeras de segurança. Afinal, especula-se que o mundo das transações interpessoais jamais voltará ao seu formato antigo”, complementa Kanamaru.

Fonte: Correio Braziliense

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