Movimento Varejo

Equilíbrio fiscal e empreendedorismo inovador para a transformação socioeconômica

A transmissão online do painel contou com tradutor de libras (Foto: Reprodução/Youtube)

Segundo os convidados do painel de encerramento do V FNC, transformação socioeconômica do Brasil passa pela mobilização do setor produtivo e as reformas estruturais

A pandemia do coronavírus antecipou conceitos e transformou a relação entre consumidores e empresas: integração de recursos tecnológicos à vida humana, potencialização do bem-estar da sociedade e indivíduos, inclusão, sustentabilidade e humanização da tecnologia. Essas transformações podem assustar algumas pessoas, mas também abrem caminho para inúmeras oportunidades. É o que acreditam os participantes do último painel do V Fórum Nacional do Comércio (FNC), realizado em Brasília (DF), ontem (28) e hoje (29).

Participaram do painel de encerramento do V FNC o deputado federal Domingos Sávio (PSDB/MG); e o diretor-geral da Gouvêa Ecosystem e especialista em varejo, Marcos Gouvêa. Os dois convidados participaram de maneira virtual do debate.

O deputado Domingos Sávio afirmou que vieram para ficar as mudanças promovidas pela pandemia do coronavírus – como o fortalecimento do comércio eletrônico e a popularização dos meios eletrônicos de pagamento –, e por isso, o Congresso Nacional tem sido proativo na busca por criar legislações que melhorem o ambiente de negócios, bem como realizar as reformas estruturais, como a tributária e a administrativa. Segundo o deputado, antes de realizar estas reformas, é preciso atacar o alto custo da máquina pública.

“Temos que fazer sim uma reforma administrativa do governo, cortando custos, alcançando segmentos que são privilegiados e acabando com os supersalários. Tudo é isso é parte do desequilíbrio fiscal que o Congresso precisa rever, porque isso acaba estourando na ponta, pois quem paga a conta no final é o cidadão, o que acaba impactando no comércio”, afirmou o parlamentar.

Marcos Gouvêa também defendeu a realização das reformas estruturais, em especial a administrativa. “Antes de pensarmos em reforma tributária, temos que levar a sério a reforma administrativa. Há uma estrutura de custos que é cara e em muitos aspectos ineficiente. Somente se evoluirmos em uma reforma administrativa que reduza o peso e o custo do estado, será possível fazer uma reforma tributária adequada a esta nova realidade. Precisamos rapidamente de uma reforma administrativa”, endossou.

Sociedade 5.0
Marcos Gouvêa falou sobre como a sociedade 5.0 – impactadas pela evolução da tecnologia – tem interferido nos negócios do Brasil e do mundo. Segundo o especialista, o termo foi desenvolvido no Japão para marcar a sociedade da criatividade e imaginação, sobretudo aquela proporcionada pelo avanço das tecnologias e da digitalização, que estariam à serviço da geração de valor para uma população cada vez mais diversa. Este é um conceito que foi adotado por uma importante entidade japonesa representativa do setor produtivo, o Kendaren, a fim de contribuir com a reconstrução e o fortalecimento da economia japonesa, após a Segunda Guerra. É o uso da tecnologia a serviço da evolução da humanidade.

“Hoje, mais do que nunca precisamos integrar o pensamento empresarial – algo que a Unecs (União Nacional das Entidades de Comércio e Serviços) começou a fazer – para pensarmos o Brasil que queremos, e não só o país que temos. E seguramente para construir este Brasil que queremos é uma tarefa grande demais para apenas os poderes institucionais. O setor empresarial deveria se mobilizar, com voz una e privilegiada pela visão global e um comportamento pragmático de busca de resultados no curto, médio e longo prazo, para assim ajudar a construir o passaporte para o futuro”, opinou Gouvêa, acrescentando que a sociedade 5.0 é um caminho para o desenvolvimento socioeconômico do país. “Precisamos acelerar o processo de transformação para uma sociedade mais virtuosa e atenta às questões emergentes”.

Mudanças estruturais no comércio
O diretor-geral da Gouvêa Ecosystem ainda destacou as mudanças que aconteceram no varejo nestes quase 24 meses de pandemia. A principal dela foi as transformações nos ecossistemas de negócio do setor brasileiro. O modelo de negócio baseado em ecossistemas foi criado na China como uma tentativa de competir com as gigantes norte-americanas da internet (Google, Amazon, Facebook etc.). Na potência asiática, os ecossistemas foram desenvolvidos por empresas como Alibaba e Tencent, que cresceram de maneira tentacular, se espalhando por todo o país e mundialmente.

“Estes ecossistemas cresceram a tal ponto, que recentemente, o governo chinês se deu conta do poder que se concentrou nos ecossistemas de negócios, a ponto de colocar condicionamentos e contingências para a continuidade da expansão destes ecossistemas na China”, contou Marcos Gouvêa.

Os varejistas brasileiros perceberam que os ecossistemas chineses de negócios tinham um modelo de organização empresarial muito presente no modelo de negócios mundial, e o aplicaram por aqui. Somado a isso, também adotaram o conceito do omniconsumidor-cidadão, que está no centro de tudo e é resultado de toda a evolução digital, que permitem o monitoramento deste novo consumidor e trazem para as organizações um nível de informação, de capacidade de relacionamento e conexão e de promoção importantes para conquistar mercado e se diferenciar da concorrência. Este modelo acabou sendo o segredo para as empresas do comércio se expandirem.

“Nos Estados Unidos e na China, este movimento foi liderado por empresas de tecnologia. Aqui no Brasil este movimento está sendo protagonizado pelos varejistas tradicionais, como Magalu e Americanas. O resultado disso é a valorização destes empreendimentos no mercado financeiro, à medida que se percebe que o potencial de contínua expansão é muito grande”, afirma o especialista em varejo.

Estas empresas estão incorporando empreendimentos menores, por fusões e aquisições, para tirar proveito destas novas tecnologias, do modelo de negócio de ecossistema e do consumidor omni, e crescer e ampliar sua área de atuação.

“É a Vivo que passa a vender saúde; a Magalu que passa a vender também educação; e um Mercado Livre que abre três mil pontos de relacionamento com os consumidores. A Via incorporou atividades de banco e a Riachuelo amplificou sua atuação no setor financeiro”, exemplificou Gouvêa.

E esta expansão permitiu, por exemplo, que estes grandes varejistas criassem marketplaces e oferecessem para outros comerciantes, de diferentes portes, a chance de se integrar à sua plataforma de vendas, e amplificassem sua oferta de produtos, serviços e soluções. Isso permitiu equilibrar o jogo competitivo dentro do mercado brasileiro, até mesmo fazendo frente aos concorrentes internacionais, muitos operando dentro do Brasil, no período da pandemia.

“É preciso fortalecer estas organizações nacionais e oferecer o estímulo para que passem a operar no mercado global, levando produtos e marcas brasileiras com valor agregado, ao mesmo tempo que se estruturem, cresçam e possam ser mais eficientes ainda no atendimento ao mercado local”, destacou o especialista em varejo.

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