14 jul, 2024
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Estratégias ESG ajudam negócios a conquistar investimentos

O mercado financeiro e os investidores estão atentos às ações socioambientais dos pequenos negócios, para decidir onde vão colocar o seu dinheiro.

Foto: Shutterstock

*Com colaboração de Ester Cavalcante

É consenso no mundo dos negócios, há muitos anos, que as empresas são responsáveis pelo bem-estar das pessoas e a preservação do meio ambiente. No entanto, a temática ganhou nova relevância com o surgimento da sigla inglesa ESG, que em tradução livre significa governança, meio ambiente e sociedade.

Na prática, os empreendimentos devem adotar medidas, rotineiras, para reduzir o seu impacto ambiental e promover o desenvolvimento socioeconômico da comunidade onde atuam. Isso porque as empresas que ainda negligenciam a questão correm o risco de perder a clientela e falir, apontam especialistas. Hoje, os consumidores preferem comprar de empresas preocupadas com sua pegada socioambiental.

O tema foi discutido nesta quinta-feira (29), no 11° Fórum RME – Rede Mulher Empreendedora. Mediado por Célia Kano, co-CEO da RME, o bate-papo contou com a presença de Renata Malheiros, coordenadora nacional do Sebrae Delas; Livia Favaro, gerente sênior de Cidadania Corporativa na PepsiCo; e Luciana Campos, líder de Relações Institucionais e Governança ESG no Itaú Unibanco.

“Como as pequenas empresas podem aplicar o ESG? Por exemplo, com o lixo. Qual o destino que você dá para material descartado pelo seu negócio? E a água? Desperdiça ou tem um consumo consciente? O que você faz para gastar menos Luz? Então, você pode ser uma padaria pequenininha e pode sim pensar na questão ambiental”, explicou Renata Malheiros.

O cuidado com as pessoas, sejam colaboradores, sejam clientes, é outro fator preponderante do ESG, que deve ser realizado paralelamente às ações ambientais e de governança. Ter política de promoção da diversidade, respeitar os direitos trabalhistas dos seus funcionários e relacionar-se bem com os fornecedores, são formas de ser responsável socialmente.

“O ESG cria oportunidades para as empresas. Quando eu tenho uma equipe diversa, eu atendo melhor o meu cliente, que também é diverso. Se eu respeito os direitos trabalhistas, eu retenho os talentos dentro do meu negócio. Ao adotar medidas de baixo impacto ambiental, eu inovo e torno o meu processo mais eficiente”, avaliou Luciana Campos, que lembrou ainda que os investidores estão de olho no ESG.

“É também uma forma de conseguir capital, uma vez que o mercado financeiro e os investidores também estão atentos a isso, para decidir onde vão colocar o seu dinheiro. Os negócios com ações de ESG têm mais chance de perpetuidade”, acrescentou a representante do Itaú Unibanco.

Já Livia Favaro disse que o ESG se tornou uma forma da PepsiCo fazer negócios. Para reduzir o seu impacto socioambiental, a multinacional tem metas definidas para cada letra da sigla. “Mais do que neutralizar a nossa pegada, queremos nos tornar parte da economia regenerativa”, disse.

No campo ambiental, a PepsiCo quer ter impacto positivo hídrico até 2030; e neutralidade de carbono até 2040. Com relação ao gerenciamento de resíduos, a companhia já não descarta nada em aterros sanitários e possui programas de retorno de alguns produtos que tem no mercado.

“Numa empresa de alimentos e bebidas, o consumidor é o centro de tudo, e a gente ter representatividade dentro da nossa empresa – falo de mulheres e homens trans e pessoas negras, com deficiência e maiores de 50 anos – é muito relevante. É uma forma de se aproximar da comunidade de uma forma ética, íntegra e justa”, acrescentou Lívia Favaro.