Não é tarde, ainda há tempo da sua empresa ser inclusiva
A diversidade nas companhias não deve seguir uma fórmula ou inspirações em um modelo de negócio reconhecido. Essa preocupação cultural tem que ser pensada, também, como uma tendência que explora o bem-estar e aceitação de diferentes pessoas nos corredores corporativos.
Por Laurent Delache
CEO da Foundever Brasil

Foto: divulgação
Imagine você chegar em uma reunião da sua empresa, com diversos gestores e colaboradores, e este encontro durar menos que 40 minutos, porque todos que estão ali, reunidos, pensam da mesma maneira sobre determinado tema discutido. Agora, imagine a mesma cena, mas supondo que a reunião durasse quase duas horas, porque houve inúmeras discordâncias de visões, novas opiniões, ideias de propostas partindo dos colaboradores para seus gestores entre outros pontos importantes. A segunda proposta consegue desenhar um pouco do que é diversidade dentro das companhias e a importância disso.
O tempo longo de uma reunião é apenas um exemplo de comparação de tempo para melhor ajudar a exemplificar um assunto tão intenso, necessário e enriquecedor que chamamos de diversidade. Já que quanto mais se discute algo, com novas visões, opiniões, conceitos e novas práticas, mais nos aproximamos na inclusão corporativa.
O tema já existe nos dicionários das empresas há décadas, nos discursos para o público externo também. Mas, as ações voltadas às práticas desta palavra tornaram-se mais fortes apenas nos últimos anos. Por exemplo, para melhor conceituar o tema, assuntos como liderança disruptiva, comunicação não-violenta, inclusão racial, social, de gênero, estética e, até mesmo, a preocupação ambiental – fazem parte desta heterogeneidade.
A prova de que os colaboradores hoje estão pautando as empresas e que, automaticamente, este movimento também colide com os negócios – é cada vez mais nítido. Recentemente, a consultoria Korn Ferry divulgou um estudo nomeado “O Futuro do Trabalho”, e por meio de alguns dados é possível confirmar que os funcionários se preocupam com a tão aclamada sigla ESG. Por exemplo, são 60% da geração millennials que se sentem mais engajados em uma empresa que tenha uma boa política social, ambiental e de governança.
Não há uma receita global
A diversidade nas companhias não deve seguir uma fórmula ou inspirações em um modelo de negócio reconhecido, isso por mais eficiente que seja associar o ESG aos resultados satisfatórios dos relatórios financeiros e econômicos de uma empresa. Essa preocupação cultural tem que ser pensada, também, como uma tendência que explora o bem-estar e aceitação de diferentes pessoas nos corredores corporativos. Se sentir bem trabalhando em uma organização que te ouve, aceita e dá ouvidos para sua voz, para sua causa, mesmo quando outros não possuem a mesma história que a sua, é inclusão. É diversidade!
Toda companhia precisa de um tempo para alcançar o começo dos inúmeros resultados quando adere à diversidade no ambiente corporativo, ainda mais quando se vem de um modelo mais rígido e dentro de um setor com poucas aberturas de comunicação e pluralidade de histórias. Mas, é importante reforçar que os resultados satisfatórios exigem perseverança, já que podem levar anos e anos para serem alcançados, até porque a diversidade corporativa é um caminho longo, com muitas mudanças, desafios e seu resultado não surge rapidamente.
O primeiro passo é iniciar, e o início é de muito estudo, entendimento e organização para uma futura aplicação. Quando chega o momento de aplicar, com ações, campanhas, diálogos e mão na massa – é o período em que se mais erra. Afinal, será uma novidade para todos, começando pelas minorias que precisarão dividir suas experiências e lutar, até para o CEO que necessitará estudar e achar a melhor maneira de aplicação.
O processo de aplicação das práticas de diversidade em uma empresa vai muito além de pendurar cartazes e bandeiras nos corredores, em determinado mês, pedindo respeito aos que lutam por sua existência. As ações envolvem, de fato, criar uma imersão verdadeira da causa em todos os departamentos e lideranças. Mas, como isso pode ser realizado e por quê?
Após a imersão da empresa nos estudos sobre diversidade e minorias, por meio de profissionais que possam ajudar nesse aprofundamento, a companhia deve criar ações e campanhas que possam agregar nas futuras práticas. Essas práticas são nada mais, nada menos, que trazer ainda mais as minorias e suas lutas para dentro do cotidiano trabalhista. Ou seja, a melhor maneira é por meio do acréscimo nas contratações de LGBTQIAPN+, deficientes físicos e mentais, inúmeras raças, etnias entre outros grupos que estão em vulnerabilidade social para dentro da corporação.
Novamente, o começo é árduo. Os gestores, os colaboradores irão errar, se constranger quando forem corrigidos pelo uso de termos preconceituosos que estavam enraizados em seus diálogos, irão se desmotivar, recomeçar, mas é um processo de aprendizado, de enriquecimento e, principalmente, um momento de se desculpar. Afinal, errando que se aprende e se desculpando que se entende.
A diversidade no ambiente corporativo é desafiadora e exige paciência, vontade de querer começar e empatia ao próximo. Há tempo, mesmo com o atraso e todas as companhias são bem-vindas e a cultura tendenciosa do momento é começar, é fazer, é tentar, é errar, é se esforçar. Há tempo!

