Mesmo com imposto, quase metade ainda vê vantagem em comprar fora
Pesquisa da CNDL mostra que a nova taxação freou parte do consumo internacional, mas não alterou a lógica central da decisão do consumidor
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A criação da taxa de 20% sobre compras internacionais acima de US$ 50 mudou o cenário das importações no Brasil, mas não encerrou o movimento. Para uma parcela significativa dos consumidores, a compra fora do país ainda compensa, mesmo com o novo custo embutido no carrinho. O dado revela que a decisão de consumo segue ancorada em preço, variedade e percepção de valor e não apenas na carga tributária.
É o que indica a pesquisa “Compras em sites internacionais — 2025”, realizada pela CNDL e pelo SPC Brasil, em parceria com a Offerwise Pesquisas. Segundo o levantamento, 47% dos consumidores afirmam que ainda vale a pena comprar em sites internacionais em alguns casos, mesmo após a implementação do imposto. Em contrapartida, 25% dizem que a compra deixou de valer a pena, enquanto o restante avalia a decisão de forma pontual, dependendo do produto e da oferta.
Imposto muda o ritmo, não o comportamento
A taxação teve impacto imediato: 41% dos consumidores passaram a comprar menos ou deixaram de comprar em sites internacionais, sendo que 18% interromperam completamente esse tipo de compra. Ao mesmo tempo, 24% passaram a comprar mais em sites nacionais, indicando um deslocamento parcial da demanda.
Ainda assim, o imposto não foi suficiente para reverter a preferência em todas as categorias. Quando a diferença de preço continua relevante ou quando o produto não está disponível no mercado nacional, o consumidor mantém a compra internacional como alternativa viável.
Preço e variedade seguem no centro da decisão
Os dados ajudam a explicar por que quase metade dos consumidores ainda enxerga vantagem em comprar fora. Entre os principais fatores decisórios estão preço reduzido, custo do frete, variedade de produtos e confiança na plataforma. Mesmo com o imposto, essas variáveis continuam favoráveis em muitos casos, especialmente em segmentos como moda, acessórios, casa e beleza.
O consumidor brasileiro, cada vez mais experiente, passou a incorporar a taxa no cálculo final. A decisão deixou de ser impulsiva e se tornou comparativa: se o valor total ainda for menor ou se a oferta for mais ampla, a compra acontece.
Rejeição à taxa é majoritária
A percepção sobre a cobrança também pesa. A pesquisa mostra que 62% dos consumidores discordam da nova taxa, considerando-a prejudicial, sobretudo para a população de menor renda. Por outro lado, 25% concordam com a medida, por acreditarem que ela pode fortalecer o comércio nacional.
O dado revela um debate aberto: parte da sociedade reconhece a necessidade de equilibrar a concorrência, enquanto outra parte vê a taxação como barreira ao acesso a produtos mais baratos.
Preferência pelo nacional existe, mas é condicional
Mesmo com a resistência à taxa, a pesquisa indica que o consumidor não rejeita o varejo brasileiro. 60% afirmam que prefeririam comprar em sites nacionais se preços e variedade fossem semelhantes. Além disso, 50% sempre checam a disponibilidade do produto em plataformas brasileiras antes de comprar fora.
Ou seja, o imposto pode até influenciar a decisão, mas não substitui a necessidade de competitividade. Quando a equação de valor não fecha no mercado interno, o consumidor continua olhando para fora.
Os dados mostram que a taxação reduziu o volume de compras internacionais, mas não alterou a lógica central do consumo. Enquanto houver diferença significativa de preço, sortimento e experiência, parte dos consumidores seguirá comprando fora — com ou sem imposto.
O desafio para o varejo nacional vai além da regulação. Ele passa por eficiência, escala, logística e estratégia de preços. A pesquisa deixa claro que a tributação pode ganhar tempo, mas não substitui competitividade.
No fim, o consumidor faz a conta. E, para quase metade deles, a conta ainda fecha fora do país.

