16 jul, 2024
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América Latina deve apostar no empreendedorismo de impacto

Criar valor para stakeholders é um dos caminhos de desenvolvimento na região, segundo especialistas

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América Latina deve apostar no empreendedorismo de impacto

Mesmo com todas as carências e dificuldades, os modelos de negócio com impacto positivo podem ser uma das receitas de crescimento sustentável para a América Latina. É o que postulam os especialistas em empreendedorismo de impacto, que cria valor não somente para o empreendedor, mas, também, estende os benefícios para todos os stakeholders, dos acionistas à comunidade.

Na prática, o empreendedorismo de impacto envolve ações de desenvolvimento sustentável desde a elaboração do modelo de negócios da empresa. Em outras palavras, ele alia as estratégias de crescimento econômico com iniciativas que incluem a sociedade e a preservação ambiental no centro do planejamento e desdobramento dos objetivos estratégicos.

O resultado disso é que as ações concretas de desenvolvimento sustentável são capazes de criar valor para todos os stakeholders, além dos benefícios gerados para a sociedade. O processo, no entanto, não pode ser retórico e é fundamental registrar as evidências do impacto gerado, apesar das dificuldades de mensuração dos resultados.

Startups são mais ágeis

Para os professores Fabian Salum e Karina Coleta, ambos da Fundação Dom Cabral (FDC), os benefícios para os stakeholders podem ser evidenciados mais facilmente em empresas menores e mais ágeis, as startups. Esse é o foco do trabalho deles, em conjunto com a Innovation Latam, com a iniciativa iImpact.

Ambos se debruçaram sobre dados de quatro grupos de startups latino-americanas, analisando informações de 2021 a 2023, em empresas classificadas como Energytechs, Agritechs, Socialtechs e Edutechs. Entre os resultados está o artigo Empreendorismo de impacto: a chave para salvaguardar o planeta e a sociedade.

“Queremos potencializar a conexão de nossas pesquisas com a realidade das empresas e seus executivos”, defendem os pesquisadores no artigo. Para eles, o debate a partir dos dados das startups analisadas pode ecoar entre os vários atores latino-americanos interessados no empreendedorismo de impacto.

Resultados do estudo

Desde 2020, a FDC, por meio de seus professores e pesquisadores, reconhece modelos de negócios sustentáveis, que proporcionem impactos positivos para a sociedade dos 25 países que participam, voluntariamente, da pesquisa. Até a edição atual (de 2023/2024) mais de 2.380 empreendedores sociais de vários países já haviam participado da iniciativa.

Segundo os professores da FDC, o levantamento atual apontou que 20,7% dos modelos de negócios de impacto latino-americanos são focados em Greentech, promovendo ações urgentes para a recuperação do meio ambiente, sobretudo dos biomas. Além disso, cerca de 30% das empresas consultadas na pesquisa são as chamadas socialtech, voltadas para a inserção de pessoas no mercado de trabalho, especialmente imigrantes e mulheres, de modo a reduzir as desigualdades. Outros 15% dos pesquisados se declararam como empresas com Modelos de Negócios focados em Edutech, promovendo acesso universal a educação de qualidade.

O trabalho também mostrou que 7% dos empreendedores sociais desenvolvem projetos para melhorar a produtividade no campo e reduzir os impactos ambientais do agronegócio, e são classificados como Agrotech. Outros 3% da amostra afirmaram possuir projetos voltados à transição energética, na categoria chamada de Energytech.