14 jul, 2024
0 ° C

Marcas conectadas com a sociedade se destacam no mercado

Em entrevista exclusiva para a Varejo S.A., o publicitário Samuel Normando conta como as empresas do varejo tem vendido mais ao se conectar com as causas sociais, ambientais e de governança

Em entrevista exclusiva para a Varejo S.A., o publicitário Samuel Normando conta como as empresas do varejo têm vendido mais ao se conectar com as causas sociais, ambientais e de governança

Samuel Normando: as marcas estão olhando para o humano e o que está acontecendo no mundo e com as pessoas, e vendendo com propósito

“É quase inerente à publicidade atual o comportamento de marcas que se relacionam com a comunidade. São marcas que olham para o humano, marcas que conversam com o que está acontecendo no mundo e com as pessoas, e não simplesmente marcas que olham para os seus produtos e querem aumentar o seu share, simplesmente vender. É vender com propósito”, destacou Samuel Normando, publicitário e diretor de Criação da Publicis Brasil, em entrevista recente para o programa Meio Norte Mais.

Samuel Normando vai falar justamente sobre propósito no varejo durante a 56ª Convenção Nacional do Comércio Lojista (CNCL), que ocorre de 12 a 15 de maio de 2022, em Campos do Jordão (SP). Realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e a Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado de São Paulo (FCDL-SP), a CNCL reúne, este ano, líderes e empresários do segmento para discutir como os negócios podem cuidar melhor de seus propósitos e usar isso em favor da longevidade e lucratividade da empresa.

“As boas práticas ambientais, sociais e de governança podem ser consideradas como o reflexo de uma geração que pede uma participação mais ativa de empresas na sociedade para além do seu negócio de atuação. Essas ações quando bem executadas são apreciadas pelos consumidores e têm o potencial de transformá-los em fãs das marcas”, explica o publicitário, em entrevista exclusiva para a Varejo S.A., revista eletrônica da CNDL.

Com mais de 80 prêmios nacionais e internacionais, o comunicador teve seu trabalho reconhecido nos principais festivais de criatividade do mundo, incluindo cinco Leões no Festival de Cannes, considerado o Oscar da Propaganda. Hoje, lidera um time criativo na Publicis Brasil, agência que leva o nome da terceira maior holding de comunicação do mundo. Conta ainda com uma experiência de trabalho nos Parques Temáticos da Disney, na Flórida.

Samuel Normando conversou com a nossa equipe esta semana e adiantou alguns dos conceitos que serão discutidos no maior encontro nacional do comércio. Confira o bate-papo:

Os consumidores estão cada vez mais preocupados em comprar de empresas responsáveis social, cultural, ambiental e economicamente. Como as empresas podem utilizar este comportamento em favor do seu negócio?
A agenda ESG é mais que uma tendência, é uma realidade para empresas de diferentes setores. As boas práticas ambientais, sociais e de governança podem ser consideradas como o reflexo de uma geração que pede uma participação mais ativa de empresas na sociedade para além do seu negócio de atuação. Essas ações quando bem executadas são apreciadas pelos consumidores e têm o potencial de transformá-los em fãs das marcas. Ou seja, empresas que entendem seu papel social e focam em resolver questões que vão causar impactos positivos para além da própria companhia tendem a formar não apenas uma base de consumidores, mas uma legião de fãs. E a essência disso tudo pode ser trabalhada a partir de um propósito. Um propósito que faça sentido à empresa, produto ou setor e também à sociedade.

De que maneira o varejo pode se adequar a esta nova realidade para se aproximar de seus clientes?
A boa batalha do varejo é pautada por uma constante busca de diferenciação. Com margens cada vez mais apertadas, concorrências cada vez mais intensas e produtos cada vez mais semelhantes, trabalhar o diferencial não é uma tarefa fácil. A inovação é sem dúvida um caminho rico a se percorrer, ao mesmo tempo que árduo, seja para encontrar uma maneira inovadora de vender ou fidelizar o cliente, por exemplo. Porém, existe uma outra via que, quando bem executada, tende a ser ainda mais duradoura e até mais rentável, e essa alternativa é trabalhar o propósito.

Uma pesquisa realizada com consumidores por um dos maiores escritórios de branding do país revelou que quase 70% dos brasileiros estão dispostos a pagar mais por uma marca que tenha propósitos alinhados com os seus. Isto é, trabalhar propósito vende.

Você fala muito sobre o poder da criatividade para impulsionar o negócio. Como casar criatividade e propósito para melhorar a comunicação/marketing do negócio?
Comunica-se o que se faz. Logo, o pontapé inicial para qualquer empresa que queira comunicar propósito é fazer propósito. Assim, antes de um plano de comunicação, deve-se entender qual o papel daquela marca na sociedade; qual questão ela quer e pode resolver? A partir daí, criativamente buscam-se maneiras de responder a essa questão. Pode ser um aplicativo, uma campanha, uma plataforma de serviços. As possibilidades são múltiplas. Aí sim, depois de feito, você conta essa história.

A beleza da comunicação é poder atingir ainda mais pessoas através dessa sua história. Mais pessoas até do que aquelas que foram impactadas diretamente pelas ações de propósito da sua empresa. Um efeito halo ganha-ganha-ganha: ganha a sociedade, ganha a marca, ganha o consumidor.

O que os participantes da 56ª CNCL podem esperar da sua palestra?
Para a 56ª CNCL, podem esperar a minha melhor palestra. Vou trazer cases reais de grandes marcas que tive a oportunidade de desenvolver como diretor de criação da Publicis, uma das maiores agências de comunicação do país. Além disso, vou apresentar caminhos de como encontrar o propósito da sua empresa e espero deixar uma mensagem inspiradora para cada um que acredita no poder da criatividade e no poder do propósito.