20 abr, 2026
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As barreiras enfrentadas por pessoas trans para entrar no mercado de trabalho

Quase 70% dos profissionais transgêneros estão em níveis operacionais e recebem até 26% menos do que seus colegas cis.

  • Quase 70% dos profissionais transgêneros estão em níveis operacionais e recebem até 26% menos do que seus colegas cis

O nível educacional de pessoas trans no Brasil ainda é baixo e afeta a empregabilidade. Uma pesquisa realizada pelo Vagas, empresa de tecnologia para o setor de recrutamento e seleção, aponta que 68% dos transgêneros possuem apenas ensino médio ou fundamental. Já entre os cisgêneros, o percentual é de 45%.

O levantamento foi realizado com base nos currículos cadastrados no site Vagas.com. Ao todo, foram analisados mais de 25 milhões de currículos – destes, 44.562 são de pessoas transgêneras, sendo 24.266 de mulheres trans (54%) e 20.296 de homens trans (46%).

Renan Batistela, especialista em diversidade, equidade e inclusão no Vagas, explica que as discrepâncias no mercado de trabalho repetem as desigualdades sociais, com formação de ensino, nível hierárquico e faixa salarial.

“A gente percebe que as pessoas trans acabam ficando em desvantagem em comparação às pessoas cis”, afirma Batistela.

O levantamento também aponta que 69% dos transgêneros têm currículos direcionados aos níveis operacionais, em cargos como auxiliar, operacional ou técnico. Em comparação, entre os cisgêneros são 55%.

Quando analisada a formação do profissional, somente 12% das pessoas trans possuem ensino superior. O índice entre os que se autodeclaram cisgênero no mesmo grau de escolaridade é de 23%. A pesquisa ainda indica que 10% dos cisgêneros possuem formações de mestrado e/ou especializações, contra 3% dos transgêneros.

A discrepância no nível educacional entre pessoas cis e trans também afeta diretamente os rendimentos. De acordo com a pesquisa, em relação à média salarial há diferenças significativas, com os transgêneros recebendo, em média, 17% a menos que os cisgêneros. Essa diferença, no entanto, pode chegar a 26%.

Confira a matéria completa de Larissa Maia para o Valor.

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