14 jul, 2024
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Como a disrupção digital beneficia o varejo

Confira a entrevista com Ricardo Simile Secco e saiba mais sobre a disrupção digital no varejo na última década e o que se pode esperar dela no futuro próximo.

Ricardo Secco fala sobre o futuro da disrupção digital no varejo
Foto: arquivo pessoal

“O primeiro surto de digitalização no varejo resultou na virtualização das compras, permitindo que os clientes naveguem pelas prateleiras das lojas online e adquiram produtos por meio de plataformas de comércio eletrônico. Desde então, a adoção do comércio eletrônico acelerou a uma velocidade vertiginosa, e seu tamanho de mercado global é avaliado em trilhões de dólares”, resume Ricardo Simile Secco, diretor de Negócios para o Varejo da Kyndryl Brasil.

O executivo conversou com a equipe do portal Varejo S.A. e falou sobre como a disrupção digital tem beneficiado o varejo, gerando vendas, competitividade e lucro.

“O setor de varejo testemunhou uma disrupção impulsionada pela tecnologia ao longo de uma década, que mudou a forma como os consumidores compram e os comerciantes vendem. Já estamos experimentando, em alguns locais do globo, a transformação multifacetada do comércio online, a experiência em showroom, a loja também como um hub de serviços e de apoio logístico”, conta.

O especialista destaca que a coleta e a análise de dados permitiram a hiperpersonalização da experiência do comprador. Por outro lado, a computação em nuvem veio como a solução perfeita para a sazonalidade, um dos principais desafios do setor, especialmente do varejo eletrônico.

“Com o avanço das tecnologias, um movimento muito importante foi observar o nascimento dos varejistas nativos digitais, que começaram hospedando todos os seus sistemas na nuvem e criaram modelos de negócios que exploraram totalmente a nuvem como um catalisador para a inovação”, acrescenta o diretor de Negócios para o Varejo da Kyndryl Brasil.

Confira a entrevista com Ricardo Simile Secco e saiba mais sobre a disrupção digital no varejo na última década e o que se pode esperar dela no futuro próximo:

Varejo S.A. – Que transformações a disrupção tecnológica trouxe para o setor varejista?
Ricardo Secco – A tecnologia de ponta do varejo amadureceu e avançou. O primeiro surto de digitalização no varejo resultou na virtualização das compras, permitindo que os clientes naveguem pelas prateleiras das lojas online e adquiram produtos por meio de plataformas de comércio eletrônico. Desde então, a adoção do comércio eletrônico acelerou a uma velocidade vertiginosa, e seu tamanho de mercado global é avaliado em trilhões de dólares.

A análise de dados trouxe a hiperpersonalização da experiência do comprador; e a computação em nuvem veio como a solução perfeita para um dos principais desafios que o crescente setor de varejo eletrônico tem de enfrentar: a sazonalidade – com picos de demanda e redução. Sem a nuvem, os varejistas precisam investir em capacidade de infraestrutura compatível com o pico de demanda, o que resultaria em imenso desperdício e consequente ineficiência quando o uso diminui.

Com o avanço das tecnologias, um movimento muito importante foi observar o nascimento dos varejistas nativos digitais, que começaram hospedando todos os seus sistemas na nuvem e criaram modelos de negócios que exploraram totalmente a nuvem como um catalisador para a inovação.

O design do serviço de varejo tornou-se interativo com base em testar o mercado e aprender com o comportamento de compra. A aquisição de clientes tornou-se inteligente por meio de promoções personalizadas e mensagens direcionadas. A retenção de compradores foi automatizada usando análises que previam a rotatividade de clientes. Conceitos como LTV (Life Time Value, em inglês, ou Valor do Tempo de Vida, em português), que indica qual é o valor de um cliente para uma empresa durante todo seu relacionamento com ela, tornou-se fundamental. A construção de uma marca observa, de perto, o que ocorre nas redes sociais.

“Agora, pode-se rastrear os passos dos compradores e os tempos de permanência nos corredores da loja e usar a tecnologia de rastreamento do globo ocular para medir o interesse de um cliente em um produto ou oferta”.

Varejo S.A. – O varejo físico também se beneficiou desta evolução tecnológica?
RS – Os showrooms físicos testemunharam uma infusão de digitalização desencadeada pelo aprendizado das máquinas. Agora, pode-se rastrear os passos dos compradores e os tempos de permanência nos corredores da loja e usar a tecnologia de rastreamento do globo ocular para medir o interesse de um cliente em um produto ou oferta.

O comportamento do comprador, seus padrões de compra, suas interações nos diversos canais, muitos deles já com adoção de tecnologias de Inteligência Artificial e analytics, são considerados para aumentar as taxas de conversão.

Varejo S.A. – E as fintechs, como elas também modernizaram o varejo?
RS – Nos últimos anos, enquanto o setor de varejo estava no meio dessa transformação, as fintechs liberaram o poder do software em serviços financeiros para consumidores, mudando os modelos operacionais não apenas no setor bancário, mas em várias outras verticais do setor, incluindo o varejo.

Varejistas em todo o mundo ganham mais dinheiro com o financiamento de uma compra do que com as margens da mercadoria vendida. O entrelaçamento das tecnologias de finanças com varejo possibilitou a imersão do “Compre agora, pague depois” e o financiamento just-in-time no checkout das compras, expandindo as opções de pagamento para o consumidor.

Varejo S.A. – E o que é o ONDC e como estimula o varejo online?
RS – O comércio eletrônico expandiu o alcance do varejo, mas criou oligopólios onde algumas grandes empresas capturaram grandes fatias de mercado ao atrair milhões de compradores e vendedores para seu mercado. De olho nesse contexto, vemos surgir a ONDC (Open Network for Digital Commerce), que visa acabar com as dependências do consumidor em grandes plataformas de comércio eletrônico, separando a aquisição do comprador e do vendedor.

A ONDC busca mudar o comércio de varejo trazendo a interoperabilidade, da mesma forma que o UPI (Unified Payment Gateway) revolucionou o sistema bancário. Qualquer aplicativo com uma base de usuários que não seja necessariamente de varejo – por exemplo, um aplicativo de chat – pode se habilitar com o protocolo ONDC e obter acesso a vendedores externos de varejo, oferecendo assim aos seus usuários mais um caminho para o e-commerce.

O ONDC será, portanto, um facilitador para expandir a penetração do varejo online. Isso aumentará o valor bruto da mercadoria das transações de varejo digital e anunciará um crescimento explosivo à medida que mais e mais aplicativos habilitam suas plataformas com ONDC.

“Varejistas em todo o mundo ganham mais dinheiro com o financiamento de uma compra do que com as margens da mercadoria vendida”.

Varejo S.A. – Como o Metaverso pode gerar negócios para o setor?
RS – O Metaverso permite criar uma experiência de compra real com showrooms virtuais. Ou seja, uma loja de varejo pode se estender para fora de seus imóveis e oferecer uma experiência consistente dentro e fora de suas paredes. Um comprador pode se mover pelas seções da loja e navegar pelos corredores por meio de uma interface de usuário habilitada por gestos. A Realidade Aumentada (AR) e a Realidade Virtual (VR) adicionam a percepção de profundidade ao cenário da loja.

Além disso, os compradores no Metaverso podem interagir com assistentes de compras digitais dedicados; eles podem obter ofertas contextualmente responsivas exibidas em placas de sinalização eletrônica privadas. Os clientes obtêm uma experiência ainda mais imersiva e interativa do que nas compras na loja, sem esperar nas filas do caixa. Eles podem experimentar uma roupa ou joia em um camarim virtual por meio de renderização em 3D.

Varejo S.A. – O que esperar do futuro do varejo?
RS – É possível perceber que o comércio eletrônico no futuro com Web3 (geração da internet que usa como base tecnologias de inteligência artificial e blockchain) no Metaverso abrirá muitos novos caminhos pela descentralização das transações. E a tecnologia Blockchain é a pedra angular da Web3 e fornecerá aos consumidores ainda mais controle sobre privacidade, confiança e segurança de dados.

O setor de varejo testemunhou uma disrupção impulsionada pela tecnologia ao longo de uma década, que mudou a forma como os consumidores compram e os comerciantes vendem. Já estamos experimentando, em alguns locais do globo – em uns, um pouco mais; e em outros, um pouco menos –, a transformação multifacetada do comércio online, a experiência em showroom, a loja também como um hub de serviços e de apoio logístico, a hiperpersonalização e a demanda por proteção de privacidade. Uma coisa é certa, o futuro do varejo promete ser ainda mais fascinante.