20 abr, 2026
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Da busca ao feed: redes sociais ganham espaço na pesquisa de produtos

Pesquisa da CNDL e SPC Brasil mostra que, mesmo com queda no uso de buscadores tradicionais, quase todos os consumidores pesquisam produtos nas redes sociais

Shutterstock
Metade dos consumidores já compra direto das redes sociais

As redes sociais deixaram de ser apenas espaços de entretenimento e passaram a ocupar um novo papel: o de ferramenta de pesquisa de produtos. Se antes o consumidor recorria quase exclusivamente a buscadores e sites de comparação de preços, hoje ele consulta o feed, os comentários, os vídeos e as experiências de outros usuários para decidir o que comprar.

Segundo a pesquisa “Consumo Multicanal — 2025”, realizada pela CNDL e pelo SPC Brasil, em parceria com a Offerwise, 99% dos consumidores pesquisam produtos nas redes sociais antes de comprar. Esses ambientes, mais visuais, espontâneos e interativos, se tornaram parte essencial da jornada digital e, muitas vezes, o primeiro ponto de contato entre consumidor e marca.

A mudança é significativa porque ocorre ao mesmo tempo em que há uma queda no uso dos canais tradicionais de busca: buscadores (48%), sites de fabricantes (39%, queda de 9 p.p.) e sites de varejistas (36%, queda de 14 p.p.). O consumidor continua pesquisando, mas escolheu um novo lugar para fazer isso.

O feed virou vitrine e filtro

A lógica da pesquisa mudou. Em vez de digitar o nome de um produto no buscador, o consumidor navega pelo Instagram, TikTok, YouTube e Facebook esperando ser impactado por vídeos, fotos, reviews e promoções. Ele descobre produtos antes mesmo de procurá-los, um comportamento influenciado por algoritmos que entregam recomendações cada vez mais alinhadas ao seu histórico e interesse.

E quando decide pesquisar de fato, o que ele busca nas redes?

  • Preço (64%),
  • Comentários de outros consumidores (46%),
  • Detalhes como cores, tamanho e material (46%),
  • Fotos e vídeos reais (41%).

Esses elementos funcionam como uma camada de confiança. O consumidor quer ver como o produto parece “na vida real”, como veste, como funciona, como chega, e qual é a reputação do vendedor. Essa busca por validação social pesa mais do que qualquer ficha técnica.

Do anúncio à compra: quando o clique vira decisão

O comportamento frente aos anúncios mostra o quanto as redes sociais se integraram ao consumo: 71% dos consumidores dizem clicar em anúncios com ofertas, e 11% finalizam a compra na maioria das vezes após o clique. É um índice alto se considerarmos a velocidade da decisão e a natureza impulsiva desse tipo de compra.

Os stories, reels e vídeos curtos criaram um ambiente onde a descoberta é permanente e onde o consumidor está sempre a um clique de distância do carrinho. A fronteira entre ver e comprar praticamente desapareceu.

Apesar da crescente presença das redes sociais na jornada de compra, a pesquisa revela que os influenciadores têm papel menor do que se imagina: apenas 5% dos consumidores afirmam comprar com base direta em recomendações de criadores de conteúdo.

O que tem mais peso, na prática, é a prova social coletiva: comentários de desconhecidos, avaliações espontâneas, vídeos de experiência real, reviews de clientes comuns. O consumidor confia mais na massa do que na celebridade.

O que isso significa para o varejo

A expansão das redes sociais como motor de pesquisa exige do varejo uma adaptação rápida. Não basta estar presente: é preciso construir uma imagem confiável, com fotos reais, vídeos, reviews, informações claras e respostas rápidas.

Empresas que investem em conteúdo útil, e não apenas em anúncios, ganham vantagem. A decisão de compra acontece cada vez mais cedo, muitas vezes ainda dentro da rede social, antes mesmo de o usuário acessar o site da marca. A jornada ficou mais curta, mais visual e mais social. E, nesse novo cenário, quem domina o feed domina também a atenção,  e o carrinho, do consumidor brasileiro.

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