Tendências e Inovação

Feira do Empreendedor 2021: tendência dos negócios no pós-pandemia

Divulgação/Sebrae

Atenção para evitar a perda dos talentos da empresa, incluir a inovação como uma preocupação diária do negócio, pensar nas estratégias de conteúdo e antecipar-se ao aumento da competitividade. Essas foram algumas advertências feitas pelo empresário Maurício Benvenutti, na palestra de abertura da Feira do Empreendedor 2021, neste sábado (23). Maurício que é um dos criadores da Startse, plataforma voltada à qualificação profissional, fez uma apresentação focada nas “Tendências de negócios para 2022”. A partir do comportamento verificado em mercados que estão em um estágio da pandemia mais adiantado que o Brasil – como China e EUA – Maurício abordou algumas possibilidades bastante plausíveis que podem se reproduzir também no Brasil.

O primeiro alerta feito pelo palestrante diz respeito a um comportamento já registrado no mercado americano, que é o movimento das pessoas pedirem demissão voluntariamente de seus empregos. Segundo ele, pesquisas feitas nos Estados Unidos apontam que entre 25% e 40% dos trabalhadores devem pedir demissão ao longo dos próximos meses, em busca de um melhor ambiente de trabalho, de crescimento profissional e de espaços mais inovadores. “Diversos estudos mostram que em momentos de crise, as pessoas tendem a repensar suas carreiras. E hoje, as estratégias que eram válidas para reter os talentos na empresa, como melhoria salarial, não têm mais o mesmo peso”, comenta Maurício. “Nos Estados Unidos, em abril desse ano, 4 milhões de pessoas pediram demissão, um número recorde. De lá pra cá esse patamar tem se mantido. Nunca, nos últimos 20 anos, tantas pessoas tinha pedido demissão voluntariamente”, acrescenta. Maurício orienta que os empresários revejam sua política de estímulo e valorização da equipe, sob pena de perder pessoas valiosas para o negócio.

O segundo alerta de Maurício foi a respeito do novo perfil dos recursos humanos da empresa, a partir do ciclo econômico cada vez mais marcado pela digitalização. “Estudos confirmam a tendência de diminuição da demanda por tarefas que exigem habilidades manuais e o crescimento pela procura por profissionais com habilidades emocionais e tecnológicas”, comenta. O palestrante alerta que é imprescindível compreender como o digital pode potencializar o analógico. “É fundamental compreender minimamente como as ferramentas digitais podem potencializar a entrega ao cliente”, analisa. Ainda, segundo Maurício, no passado, os ciclos econômicos mudavam em intervalos de aproximadamente 60 anos. Não raro, uma pessoa vivia toda a sua carreira profissional sem a necessidade de rever suas habilidades. Hoje, esses ciclos são cada vez mais curtos. “Quem está entrando hoje no mercado de trabalho, vai viver quatro ou cinco ciclos precisando se reinventar permanentemente”.

Inovação no dia a dia
Incorporar a preocupação com a inovação como uma rotina do dia a dia da empresa é outro alerta feito por Maurício para preparar os empreendedores para o pós-pandemia. Segundo ele, as empresas que tendem a viver por décadas seguidas são aquelas que conseguem repensar a sua operação rotineiramente. “A empresa precisa saber revisitar sua carteira de produtos e soluções e – muitas vezes – matar algo que ela oferece hoje, pensando no melhor desempenho da empresa no amanhã”, analisa Maurício. Ele apresentou ao público a metodologia criada por Steve Blank que ajuda o empreendedor a organizar a inovação da empresa em três momentos (chamados Três Horizontes). O primeiro momento é o hoje, onde o empresário precisa investir 70% da sua atenção e energia. Esse horizonte diz respeito ao período de três anos, quando o empreendedor precisa considerar os produtos que fazem a empresa existir. O segundo horizonte é o que acontece num prazo de cinco anos, onde o empresário deve investir 20% do seu tempo. “Esse horizonte é aquele em que o dono do negócio pensa em como incorporar inovações que contribuam com a melhoria da entrega do seu serviço ou produto”, diz Maurício. O último estágio é aquele onde o empresário planeja o futuro do empreendimento em um horizonte de 10 anos. “É nesse momento em que ele talvez tenha de pensar em matar algum produto que ele entrega hoje em favor da sobrevivência do negócio no futuro”, avalia. Essa metodologia, segundo Maurício, ajuda o empresário a organizar o seu pensamento e introduzir a inovação como uma preocupação do dia a dia.

Gente é essencial
Maurício encerrou a sua palestra reiterando a importância dos recursos humanos das empresas. “O que faz o Vale do Silício, por exemplo, ser o pulmão de inovação no mundo, não é a tecnologia e sim as pessoas”, alertou. Segundo ele, todas as grandes empresas que alcançaram um patamar de maturidade e sucesso são aquelas onde as pessoas se permitiram caminhar rumo à transformação digital. “Qualquer transformação organizacional é – antes de tudo – uma transformação humana”, concluiu. “Se as pessoas não se permitirem mudar, a mudança não acontece”.

Confira cinco grandes tendências para 2022 apontadas por Maurício Benvenutti

1º – Digitalização
Com a pandemia, o mercado consumidor definitivamente aderiu às estratégias digitais. Nesse contexto, é fundamental pensar como o seu negócio pode se valer de ferramentas digitais. Você já pensou, por exemplo, em fazer uma live shopping nas redes sociais da sua empresa?

2º – Estratégia de Conteúdo
Mais importante que ter uma loja atraente, é importante pensar no conteúdo que você produz. Nesses tempos em que praticamente todo consumidor tem um celular e consome conteúdo de forma diária e intensa, todas as empresas deveriam também tornar-se empresas de mídia. É o conteúdo que vai construir o conceito da empresa e estabelecer as bases para uma relação de confiança duradoura da marca com seu público.

3º – Maior competição
As barreiras de entrada no mundo digital são significativamente menores. Muitos negócios migraram para o digital e com isso a competição ficou muito mais acirrada. Esse novo contexto vai exigir entregas melhores, mais eficientes. Não há mais espaço para empresas medianas se manterem competitivas.

4º – Marketing de Influência
Pessoas conectam pessoas. O consumidor tende a se conectar muito mais com pessoas do que com marcas. Nesse contexto, o empresário precisa pensar em como os funcionários da empresa e os seus clientes podem contribuir com a própria divulgação do negócio. Um estudo feito nos Estados Unidos mostrou, por exemplo, que os posts de funcionários têm 24 vezes mais divulgação que as postagens feitas no perfil da empresa e geram 10 vezes mais engajamento que os posts oficiais.

5ª – Aumento da maturidade do consumo
Com a pandemia, cresceu a responsabilidade do consumidor no ato da compra. Essa foi a primeira grande crise vivida por milhões de pessoas que ingressaram no mercado de trabalho na última década. Isso fez com que o consumidor se tornasse mais seletivo na hora de gastar o seu dinheiro. Na China, por exemplo, o aporte no serviço bancário correspondente a uma espécie de caderneta de poupança, alcançou recordes, devido a esse momento em que o consumidor está mais prudente.

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