NRF 2026: Visa aponta como IA, agentes autônomos e segurança invisível estão redesenhando os pagamentos no varejo
Em conversa exclusiva com o Portal Varejo S.A., executivos da empresa analisam os principais aprendizados do evento
Envato
A NRF 2026 consolidou uma mudança estrutural no debate sobre varejo: meios de pagamento deixaram de ser apenas um tema operacional para se tornarem parte central da experiência, da segurança e da estratégia de crescimento das empresas. Inteligência artificial, agentes autônomos de compra e autenticação invisível aparecem como pilares dessa nova fase.
Em Nova Iorque, o Portal Varejo S.A. conversou com exclusividade, por meio do gerente executivo da CNDL, Daniel Sakamoto, com Eduardo Abreu, vice-presidente de Novos Negócios da Visa, e Gustavo Carvalho, vice-presidente de Serviços de Valor Agregado da Visa Brasil, para entender como essas transformações estão se conectando na prática.
“A grande diferença deste ano é que a Inteligência Artificial deixou de ser apenas uma promessa e começou a aparecer em casos concretos”, afirma Eduardo Abreu. Segundo ele, a NRF 2026 mostrou como os chamados agentes de IA passam a atuar como orquestradores da jornada de compra, conectando descoberta, comparação, estoque, pagamento e entrega. “Não é só falar de IA, é entender o papel do agente, que conecta varejo, plataformas e meios de pagamento em um fluxo muito mais fluido.”
Pagamento deixa de ser etapa final e vira camada estratégica
A fragmentação da jornada de compra, que começa nas redes sociais, passa por buscadores, marketplaces e pode terminar na loja física, exige uma nova lógica. Para a Visa, o pagamento deixa de ser apenas o “checkout” e passa a atuar como uma camada transversal em toda a experiência. “O processo de venda deixou de ser linear. Hoje o consumidor é impactado em vários pontos antes da decisão final, e o pagamento precisa estar integrado a todos esses momentos”, explica Gustavo Carvalho. “Ele passa a gerar valor ao longo da jornada, trazendo dados, contexto e ajudando o varejista a tomar decisões melhores”, completa.
Com o avanço da automação e dos agentes de IA, cresce também a complexidade das fraudes. Esse foi um dos temas mais sensíveis debatidos na NRF 2026. A biometria e a tokenização aparecem como respostas centrais para garantir segurança sem criar fricção para o consumidor.
“Sempre que surge uma nova forma de comprar, surgem também novas preocupações de segurança”, afirma Carvalho. “Por isso, autenticar corretamente quem está por trás da transação, se é uma pessoa real, um agente legítimo ou algo malicioso, se torna essencial.”
Abreu reforça que segurança e pagamento são indissociáveis. “Quando falamos de varejo, falamos de pagamento. E quando falamos de pagamento, falamos obrigatoriamente de segurança. A indústria de fraude evolui na mesma velocidade da tecnologia, então precisamos estar sempre um passo à frente.”
Segurança invisível e experiência fluida
Um dos pontos destacados na conversa foi a evolução da autenticação invisível. Hoje, muitas transações acontecem sem senha aparente, mas com múltiplas camadas de proteção funcionando nos bastidores.
“A beleza da tecnologia é justamente essa: oferecer segurança sem o cliente perceber”, diz Abreu. “Muitas vezes você acha que não usou senha, mas usou, por biometria, reconhecimento facial ou tokenização. O ideal é que o pagamento aconteça de forma tão fluida que quase desapareça da experiência.”
Na avaliação dos executivos, o Brasil ocupa uma posição de destaque no cenário global. O país aparece como um dos mercados mais digitalizados do mundo em meios de pagamento, com ampla adoção de cartões, contactless, carteiras digitais e Pix. “O brasileiro adota tecnologia muito rápido”, observa Carvalho. “Isso cria um ambiente propício para novas soluções, como o Tap to Phone, que transforma o celular em um terminal de recebimento e amplia o acesso ao pagamento digital para pequenos negócios.”
Pix e cartões: competição ou complementaridade?
O Pix também entrou no debate, não como uma ameaça, mas como parte de um ecossistema em evolução. Para a Visa, o avanço do Pix ampliou a digitalização e abriu novas oportunidades de serviços, inclusive na área de segurança. “O Pix foi muito positivo para o Brasil. Ele acelerou a bancarização e trouxe eficiência”, afirma Abreu. “Hoje, a discussão não é de exclusão, mas de complementaridade. Onde podemos contribuir com tecnologia, dados e segurança, nós nos conectamos.”
Ao final da conversa, foi destacado que a inteligência artificial não pode ser tratada como iniciativa isolada. “IA não é estratégia de marketing ou de tecnologia. É estratégia de empresa”, reforça Abreu. “Ela precisa ser discutida no nível do conselho, com visão de médio e longo prazo”, conta. Para Carvalho, o maior risco para o varejo não está na adoção dessas transformações, mas na ausência delas. “Não dá para ficar de fora. Quem não incorpora essas evoluções na estratégia corre o risco de desaparecer”, finaliza.

