Movimento Varejo

Shoppings estão otimistas e fazem investimentos

O setor de varejo recuperou-se do tombo, causado pela pandemia da covid-19, e o pior momento da crise está ficando para trás. A constatação é da última edição do Panorama do Comércio – relatório mensal da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) que compila os principais dados econômicos e sociais relacionados ao comércio –, divulgada esta semana. Segundo a publicação, com base em dados do Instituto Brasileiro de Estatística e Geografia (IBGE), verifica-se uma alta de 5,0% nas vendas do comércio, quando se considera os últimos 12 meses na comparação com os 12 meses anteriores. Em resumo, o desempenho do varejo tem oscilado em torno do nível pré-pandemia, com meses de alta das vendas, seguidos de baixa.

Apesar da oscilação, o segmento brasileiro de shopping centers aposta na retomada da economia e planeja faturamento de R$ 150 bilhões e a inauguração de mais oito centros comerciais ainda este ano. Segundo o presidente da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), Glauco Humai, a inadimplência está caindo e a ocupação das lojas nos shoppings aumentou.

“A vacância caiu de 8% para quase 4%”, disse Humai, durante sua participação no V Fórum Nacional do Comércio (FNC), realizado pela CDNL há 15 dias, em Brasília.

O país tem aproximadamente 600 shoppings centers, que gera mais de três milhões de empregos, sendo que um milhão são de postos de trabalho diretos. Em grande medida, a expectativa positiva se deve ao avanço da vacinação no Brasil – que já conta com mais de 100 milhões de pessoas com o ciclo vacinal contra a covid-19 completo – e o fim das medidas de isolamento social, impostas para conter o avanço da pandemia, na maioria dos estados e municípios.

“Em agosto deste ano, pela primeira vez, as vendas estão no patamar de antes da pandemia. Estamos trabalhando para manter este equilíbrio e esperamos um bom Natal e Black Friday. Há muita oportunidade de crescimento”, acrescentou o presidente da Abrasce.

Com a melhoria da economia e o índice de vacância reduzindo, a animação se estende a 2022. O segmento vai inaugurar cinco shoppings no ano que vem.

“O setor está animado para 2022, mas com cautela. Os índices estão melhorando e o setor é muito bem-organizado, mas sem a parceria e o entendimento e a aposta de todos que compõem o setor, a gente não conseguiria chegar neste momento de recuperação”, destacou Glauco Humai no V FNC.

Pandemia
“Se um meteoro tivesse caído no Brasil, ele teria caído sobre um shopping center, tamanho o impacto da pandemia não só no comércio, mas também nos serviços, lazer e entretenimento, dos quais os nossos equipamentos são feitos. Sofreu em todos os aspectos”, ponderou o presidente da Abrasce.

Em março de 2020, acompanhando os mercados internacionais, o setor de shoppings conseguiu se preparar para enfrentar a grave crise. Entretanto, não esperava que fosse ficar parado e com os equipamentos fechados por tanto tempo. No âmbito da saúde, foram atrás de grandes autoridades sanitárias e fecharam parceria com o Hospital Sírio-Libanês, que orientou o protocolo de operações seguras e responsáveis para funcionários, lojistas e consumidores. No nível econômico, manteve o diálogo com todos os setores envolvidos, o que possibilitou a equação que deu sobrevida para o setor.

“O setor de shopping do Brasil foi o único que não cobrou aluguel no mundo e abriu mão de receita neste período. Lá fora, fizeram adiamento, desconto, parcelamento, mas não abriram mão da receita. Aqui, possibilitamos que os pequenos pudessem se recuperar mais rápido em 2020”, afirmou Humai.

De acordo com o executivo, o setor deixou de arrecadar R$ 6 bilhões, ao deixar de cobrar aluguéis em 2020. “Investimento no fluxo de caixa dos nossos parceiros”, disse o presidente da Abrasce.

Na segunda onda, de fevereiro a abril deste ano, a estratégia foi dar descontos, negociar aluguéis e condomínios e postergar pagamentos.

“Não foi altruísmo, mas uma questão de inteligência. Cobrar o aluguel dos lojistas para perdê-los meses depois?”, perguntou o presidente da Abrasce, acrescentando: “com parceria, fortes descontos e grandes negociações, investimos no parceiro para se recuperar de forma mais rápida”.

Em 2020, o faturamento dos shoppings foi de R$ 128,8 bilhões, bem abaixo da receita de R$ 192 bilhões em 2019. A perspectiva para 2021 é de R$ 150 bilhões, ainda longe do faturamento pré-pandemia, mas já descolado do tombo sofrido em 2020.

Com informações da Isto é Dinheiro e da Agência Brasil.

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