Economia e Finanças

Mercado de carbono: um negócio de US$ 100 bilhões/ano

Os líderes de quase 200 nações presentes na COP26 (Conferência do Clima das Nações Unidas) definiram, no último final de semana, em Glasgow, na Escócia, as regras para o mercado global de carbono, possibilitando que países onde existam grandes áreas de absorção de CO2, como a Amazônia, possam negociar títulos com nações poluentes, que precisam compensar o excesso de emissões na atmosfera.

Apesar de o acordo final do evento internacional ter ficado aquém das expectativas na luta contra a catástrofe climática, a regulamentação do mercado de carbono é considerada uma conquista importante na luta contra o aquecimento global e era prevista desde o Acordo de Paris, em 2015. “O Brasil será grande exportador de crédito de carbono”, disse o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, que chefiou a delegação brasileira na COP26.

O Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), entidade que reúne quase metade do PIB brasileiro, comemorou a criação do mercado global de carbono. “A regulamentação do mercado global de carbono mostra que o caminho para aumentar ainda mais a ambição climática passa também pela utilização de instrumentos de mercado, afirmou o grupo em nota, acrescentando: “a decisão cria uma oportunidade para o setor empresarial se engajar no comércio global de emissões rumo à neutralidade climática”.

Hoje, alguns países têm seus mercados internos regulamentados e outros operam com mecanismos voluntários, como é o caso do Brasil. O mercado de créditos de carbono funciona como um estímulo financeiro para que as grandes emissoras de gases estufa (companhias) poluam menos. Tim Adams, diretor-executivo do Instituto de Finança Internacional (IIF, sigla em inglês), disse à rede CNBC que o mercado de crédito de carbono voluntário tem um “elevado potencial de crescimento”: o setor poderia chegar a US$ 100 bilhões ao ano, até 2050.

Bruno Sindicic: “independentemente do tamanho, a empresa deveria ter dentro de seus valores a preocupação ambiental”

Empresas sustentáveis
Para Bruno Sindicic, CEO da startup de alimentos Olga Ri, adotar medidas sustentáveis não é mais uma opção para as empresas. “Hoje, diante deste cenário, adotar medidas sustentáveis não deveria ser opcional. Independentemente do tamanho, a empresa deveria ter dentro de seus valores a preocupação ambiental e com a comunidade em que está inserida”, afirma.

Segundo ele, uma boa forma de os negócios se tornarem sustentáveis é adaptar os seus produtos e serviços, tornando-os menos danosos ao meio ambiente. “As empresas devem estar atentas às inovações a fim de tornar seus produtos e serviços mais sustentáveis, principalmente no que diz respeito à emissão de gases de efeito estufa”, destaca Bruno Sindicic.

A startup de alimentos opera a partir de cloud kitchens, entregando saladas para clientes residenciais e corporativos. O CEO diz que a sustentabilidade ambiental é um dos valores centrais da empresa, ao lado da diversidade e da busca por qualidade. “Chamamos o nosso compromisso com a sustentabilidade de ‘Verdes na Atitude’ e entendemos que não basta ter apenas um discurso sustentável, é preciso ter uma prática e fazer escolhas que vão nesta direção”, explica o empreendedor.

Pegada sustentável
A empresa seleciona com cuidado todos os seus fornecedores, que também precisam estar alinhados ao seu posicionamento socioambiental. Também faz a correta compensação das embalagens plásticas e de papel que colocam no meio ambiente. Atualmente, a Olga Ri compensa 200% de suas embalagens.

“A Política Nacional de Resíduos Sólidos exige que cada empresa faça a compensação ambiental de pelo menos 22% das embalagens utilizadas. Nosso compromisso é quase 10 vezes mais ambicioso do que isso. A cada salada vendida, a gente retira do meio ambiente e recicla o dobro de plástico e papel que geramos em nossa operação”, conta Bruno Sindicic.

A startup é certificada pelo selo Eu Reciclo, por meio do qual financia cooperativas de reciclagem para que elas possam retirar do meio ambiente os resíduos de plástico e papel, dando vida nova a esses materiais.

A Olga Ri ainda faz uso de embalagens biodegradáveis para os bowls de saladas e embalagens de papel para as sopas. De acordo com o CEO, 60% da resina plástica usada nas embalagens da marca vem de origem reciclada. Além disso, seu cardápio não possui pratos com carne vermelha, a fim de reduzir suas emissões de carbono. Estima-se que, no mundo todo, o rebanho bovino produza cerca de 9% dos gases de efeito estufa, segundo a Animal Business Brasil.

“Faz parte ainda das nossas estratégias de sustentabilidade o esforço de usar os alimentos de maneira integral, reduzindo o desperdício em nossas cozinhas e aproveitando ao máximo o que cada ingrediente pode oferecer em termos nutricionais e alimentares”, conta Sindicic.

O negócio de cloud kitchens conta com o apoio da Infineat, que mapeia as cozinhas onde têm sobra de alimentos, a fim de evitar o desperdício, e coleta e distribui essas comidas entre os que estão passando fome.

Gestão de resíduos
Já a parceria com A MUSA, startup de tecnologia de gestão de resíduos, possibilita que a Olga Ri colabore para o reuso inteligente de resíduos. Através de um modelo simplificado de descarte e usando transportadores especializados, realiza a coleta do material descartado e, em seguida, encaminha para os recicladores de cada tipo de lixo. Desta forma, os resíduos orgânicos geram adubos, os rejeitos geram energia e o lixo reciclável vai para cadeia de reciclagem, ou seja, nada vai parar em aterros sanitários.

“O reuso inteligente dos resíduos contribui para a preservação do planeta e fortalece a economia. Em um cenário de forte mudança climática e com o esgotamento de recursos naturais, entendemos que não evoluir a forma como lidamos com o nosso lixo significa atrasar a evolução do mundo”, ressalta Bruno Sindicic.

Com informações da Revista Exame e da Época Negócios.

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