Economia e Finanças

Cadastro Positivo: consumidores acessando a linhas de crédito mais baratas

Para o presidente do SPC Brasil, o Cadastro Positivo traz muito mais assertividade para uma melhor decisão nas análises de concessão de crédito, diminuindo os riscos de inadimplência

Foto: arquivo/CNDL
Roque Pellizzaro Jr.: as pequenas e médias empresas são as grandes beneficiadas pelo Cadastro Positivo

Os novos tomadores de crédito com pontuação no Cadastro Positivo (CP) tiveram, na média, uma redução de 10,4% na taxa de juros cobrada no crédito pessoal não consignado, o que equivale a uma queda de 31 pontos percentuais na taxa de juros anual. Já para aqueles que tiveram melhora da pontuação, a redução chega a 15,9%, uma queda de 40 pontos percentuais na taxa de juros anual. A informação é do relatório “Análise dos Efeitos do Cadastro Positivo”, do Banco Central do Brasil (BCB).

Os dados também sugerem que aumentou o número de pessoas com possibilidade de acessar a linhas de crédito, com o ingresso no Cadastro Positivo. Segundo as empresas gestoras de bancos de dados, a proporção de pessoas físicas que melhoraram sua classificação de risco de crédito ao ingressar no CP foi superior à proporção que pioraram.

O presidente do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), Roque Pellizzaro Júnior, afirma que o Cadastro positivo beneficia tanto empresas quanto consumidores. “Para consumidores, o Cadastro Positivo facilita a aprovação do crédito e o acesso a prazos maiores para pagamento e a taxas de juros menores, além da inclusão de consumidores de baixa renda que antes não tinham acesso à crédito. Para empresas, traz muito mais assertividade para uma melhor decisão nas análises de concessão de crédito, diminuindo os riscos de inadimplência”, destaca Roque Pellizzaro Júnior.

Criado em 2011, o Cadastro Positivo é um conjunto de bancos de dados que contém informações de pessoa física ou jurídica relativas a obrigações – de operações de crédito ou não – já pagas pelo cliente ou em andamento (parcelas que ainda não venceram).

Em abril de 2019, o presidente da República, Jair Bolsonaro, sancionou modificações na Lei do Cadastro Positivo, e desde então, passou a ser automática a inclusão das informações de consumidores e empresas nos bancos de dados positivos de crédito. Entretanto, só em janeiro de 2020, estes dados ficaram disponíveis para consulta por empresas, bancos e lojas do setor varejista.

O SPC Brasil é uma das empresas gestoras dos bancos de dados do Cadastro Positivo. Segundo Roque Pellizzaro Júnior, a entidade tem evoluído bastante na captação e na melhor utilização dos históricos de pagamentos. “São milhares de novos dados chegando a todo tempo, e estamos evoluindo nos nossos modelos de scoring e indicadores para gerar ainda mais valor aos nossos produtos e facilitar a vida dos nossos associados, para que eles tomem as melhores decisões na concessão do crédito”, ressalta o presidente do SPC Brasil.

Confira outros dados do relatório:

Busca por informações
O relatório do Banco Central mostra que, só no segundo semestre de 2020, o mercado passou a buscar por estas informações com maior intensidade. No último trimestre do ano passado, aproximadamente 60% das consultas foram feitas por empresas não financeiras. Para os gestores dos bancos de dados, as micro e pequenas empresas são as maiores beneficiadas pelo Cadastro Positivo, pois auxilia e facilita a tomada de decisão de crédito.

“As empresas de pequeno e médio porte são as grandes beneficiadas, principalmente aquelas que não tem expertise ou uma estrutura de crédito mais robusta. As informações provenientes do histórico de crédito do Cadastro Positivo agregam muito valor para melhorar a avalição do crédito, bem como para agilizar a aprovação e reduzir os riscos de inadimplências”, avalia o presidente do SPC Brasil.

Melhoria no score de crédito
O CP melhorou a pontuação de crédito de 41% das pessoas cadastradas, que passaram para faixas que indicam menor risco. Pessoas com menos de 30 anos foram especialmente beneficiadas com a inclusão de informações no Cadastro Positivo. Em média, 59% migraram para faixas de menor risco, ao mesmo tempo em que a migração para faixas de maior risco foi de 16%, em média.

Para as pessoas jurídicas cadastradas, em média, 30% se beneficiaram com migração para faixas de menor risco. Aproximadamente metade manteve a faixa de risco e, em média, 20% passaram a ser classificados em faixas de maior risco.

Receptividade do setor financeiro
Metade das instituições financeiras consultadas que atua no segmento de crédito para consumo de pessoas já realizou alterações no processo de concessão de crédito, incluindo o uso de informações do Cadastro Positivo. Estas instituições reportaram aumento do poder de discriminação dos modelos de risco de crédito e das taxas de aprovação de novos tomadores.

No segmento de crédito a micro, pequenas e médias empresas (MPME), 88% mostraram interesse no uso destas informações, sendo que a maior parte das instituições indica que ainda está realizando ajustes para utilização dos dados, ou que pretende realizar futuramente.

“Acredito que esse é um processo natural de evolução. Vivemos hoje uma realidade muito singular e sem comparação com outras épocas, gerando distorções importantes, bem como aumentando a cautela dos empresários, em razão das incertezas e riscos impostos por essa nova situação. A tendência natural é a partir do conhecimento do grande valor gerado pelas informações provenientes do cadastro positivo, todos passem a utilizar mais”, conclui Roque Pellizzaro Júnior.

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